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Traficantes do subúrbio do Rio proíbem venda de crack para evitar operações policiais

Traficantes do morro da Serrinha, em Madureira, zona norte do Rio de Janeiro, colocam faixas nas entradas da favela, dizendo que ali não se vende crack. - Marcelo Carnaval/Agência O Globo
Traficantes do morro da Serrinha, em Madureira, zona norte do Rio de Janeiro, colocam faixas nas entradas da favela, dizendo que ali não se vende crack. Imagem: Marcelo Carnaval/Agência O Globo

Do UOL, no Rio

05/11/2012 10h45

Os traficantes do morro da Serrinha, em Madureira, no subúrbio do Rio de Janeiro, ordenaram a paralisação do comércio de crack na comunidade. Com o auxílio de instituições religiosas, os criminosos fixaram faixas informativas sobre a medida em algumas vias de acesso à favela.

Em uma das faixas, há a seguinte mensagem: "A comunidade da Serrinha não vende nem apoia o uso do crack".

A estratégia utilizada pelos traficantes da facção TCP (Terceiro Comando Puro) seria de evitar futuras operações policiais, principalmente a possível instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora --o morro suburbano está situado em uma região cuja visibilidade turística é crescente.

Desde a pacificação do complexo de Manguinhos e das comunidades do Jacarezinho, na zona norte, uma cracolândia vem se formando no entorno da Serrinha.

Os dependentes costumam circular pelas vias próximas ao Cajueiro, em especial as ruas Edgar Ramos e Leopoldino Oliveira, onde praticam pequenos furtos (entre outros delitos, tais como prostituição) a fim de conseguir dinheiro para obter a droga.

Internação involuntária

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, manifestou apoio à internação involuntária de adultos dependentes de crack e afirmou que a pasta vai ajudar a Prefeitura do Rio na preparação de um novo protocolo para tratamento dos pacientes. A decisão foi tomada depois de uma reunião entre o ministro e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), na semana passada. O plano está previsto para ser apresentado nos próximos dias.

"Nos casos em que há risco de vida, a internação involuntária é um recurso que pode ajudar. Mas a estratégia deve ser feita de forma adequada, respeitando a lei, com avaliação médica", disse o ministro. Padilha também prometeu repassar os recursos "que forem necessários" para ampliar a rede de atendimento a dependentes de crack no município.

O plano do governo municipal prevê a implantação da internação involuntária de dependentes químicos adultos, medida que vem gerando polêmica, além da abertura de leitos, unidades de atendimento e consultórios de ruas. O ministro posicionou-se favorável às medidas.

Após o encontro, Paes lembrou que a internação involuntária já é feita no Rio, em casos de crianças e adolescentes usuários de drogas, e avaliou que a estratégia tem sido bem-sucedida. A ideia seria a de estender a medida para adultos dependentes químicos.

"Tive do ministro [Alexandre Padilha] a resposta positiva de que, para todas as dificuldades que estamos identificando, o ministério vai estar junto com o financiamento, ajudando a pagar essa conta", ressaltou.

De acordo com o prefeito, o próximo passo é definir os critérios para a ampliação da internação involuntária. Segundo ele, técnicos do ministério devem ajudar na elaboração de uma espécie de protocolo de atendimento a ser seguido pelos profissionais de saúde nesses casos.

“Estamos tratando de um tema que diz respeito aos indivíduos, dramas pessoais, problemas pessoais e, claro, que exige sempre uma complexidade muito grande. Não estamos aqui prometendo, dizendo como resolver todos os problemas”, argumentou. “A boa notícia que recebemos hoje é que não há limite. O ministro se colocou inteiramente à disposição para todas essas unidades que a prefeitura quiser abrir”, completou.

Cotidiano