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Chefe da PM morta em SP recua e afirma que ela não denunciou colegas

Do UOL, em São Paulo

08/08/2013 12h49Atualizada em 08/08/2013 17h51

O coronel Wagner Dimas, chefe do 18º Batalhão da Polícia Militar de São Paulo, onde trabalhava a cabo Andreia Pesseghini, 36, encontrada morta na última segunda-feira, mudou a versão dele a respeito de possíveis denúncias que a policial teria feito contra colegas envolvidos em crimes.

Em depoimento à corregedoria da PM na tarde de quarta-feira (7), ele disse que não houve nenhuma investigação no batalhão em que atua sobre esquema de roubo de caixas eletrônicos envolvendo colegas da corporação.

Andreia foi encontrada morta na última segunda-feira, na Brasilândia, zona norte de São Paulo, junto aos corpos do marido, o sargento da Rota Luis Marcelo Pesseghini, 40, e do filho, Marcelo Pesseghini, 13, apontado pela polícia como autor das mortes. Ele teria se matado após cometer os crimes. Além deles, outras duas pessoas foram encontradas mortas em uma casa no mesmo quintal: a avó e a tia-avó do menino.

Dúvidas não esclarecidas 

- como os vizinhos não ouviram o barulho de tiros que mataram cinco pessoas?
- se de fato matou quatro pessoas e a si próprio, como Marcelo não tinha vestígios de pólvora nas mãos?
- como o menino teria cometido os assassinatos, ido à escola e, mesmo assim, ter cabelos nas mãos quando morreu?
- como um menino “dócil e amoroso” com os pais, segundo familiares e vizinhos, teria sido capaz de um crime tão violento?
- qual o motivo de Marcelo ter colocado um revólver calibre 32 na mochila, se a arma usada para todos os assassinatos foi uma pistola .40?
- por que o depoimento de um adolescente de 13 anos é mais relevante para a polícia formular um juízo de valor do que o de testemunhas adultas que ainda nem foram ouvidas?
- onde os pais de Marcelo guardavam as armas em casa?
- que horas e em que sequência as vítimas foram assassinadas?
- por que só a mãe do menino, a cabo Andréia, estava em posição de submissão ao ser morta?
- a cena do crime poderia ter sido forjada?

Sem que houvesse uma investigação, a cabo Andreia não poderia ter contribuído com denúncias, disse o coronel em depoimento.

Ontem, Dimas disse em entrevista à Rádio Bandeirantes que Andreia havia denunciado colegas policiais por envolvimento com roubo a caixas eletrônicos

Questionado sobre o que disse à rádio, o coronel falou na corregedoria que "se perdeu em suas argumentações perante o repórter".

Ele também falou que disse na entrevista à rádio que não estava convencido de que Marcelo tenha sido o autor dos crimes em função de os laudos da polícia científica ainda não estarem prontos.

O coronel Dimas prestou depoimento nesta quinta-feira ao DHPP. Ele saiu do local às 13h45, em um veículo não oficial, sem falar com a imprensa.

O Comando da Polícia Militar já havia divulgado nota em que alegava que "não houve qualquer denúncia registrada na Corregedoria da PM, ou no Batalhão, por meio da Cabo Andreia Pesseghini, contra policiais militares. Foram consultados arquivos da Corregedoria, do Centro de Inteligência e do próprio Batalhão e nada foi identificado, portanto, será instaurado um procedimento para apurar as declarações".

Além de Dimas, outras três pessoas serão ouvidas nesta quinta-feira no DHPP, conforme a Secretaria Estadual de Segurança: Edilson Oliveira da Silva, que presta depoimento pela segunda vez e é primo da vítima Luiz Marcelo Pesseghini; um policial militar identificado como "Neto", amigo da cabo Andreia; e um amigo do menino Marcelo, que não pode ser identificado por ser menor de idade.

Entrevista de coronel à rádio gerou dúvidas sobre linha de investigação da polícia

O depoimento do coronel Dimas despertou dúvidas em relação à linha de investigação da polícia, que aponta até o momento apenas Marcelo como o possível autor dos crimes.

Em entrevistas à imprensa, familiares disseram não concordar com alguns aspectos vistos pela polícia como evidências de que o menino seria o responsável pelas mortes.

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À reportagem da TV Bandeirantes, um tio do menino disse que ele era destro, diferente do que diz a polícia, que afirma ter confirmado que ele era canhoto. Marcelo foi encontrado com a arma usada nos disparos na mão esquerda.

O jornal britânico "Daily Mail" publicou nesta quinta-feira, inclusive, uma reportagem em que diz que Marcelo pode ter sido vítima de uma armação. O jornal afirma que "a polícia de São Paulo é amplamente vista como uma das mais corruptas do mundo e que nos anos recentes policiais se envolveram em vários escândalos".

A diretora do colégio Stella Rodrigues, Maristela Rodrigues, disse nesta quarta-feira (7) que o comportamento de Marcelo foi "normal" na escola na segunda de manhã, dia seguinte a ter cometido os crimes, segundo a versão da polícia.
 

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