PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Brasil encolherá quase uma cidade de São Paulo entre 2042 e 2060, diz IBGE

Julia Affonso

Do UOL, no Rio

29/08/2013 10h00Atualizada em 30/08/2013 09h00

Entre 2043 e 2060, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) prevê uma diminuição cada vez mais acentuada da população brasileira. Dados divulgados nesta quinta-feira (29) mostram que, de 2042, quando o contingente populacional atingirá seu ápice, com 228 milhões de pessoas, até 2060, ano em que haverá 218,1 milhões de habitantes no Brasil, o país perderá 10,1 milhões de habitantes. O número chega próximo à perda de uma cidade de São Paulo. Segundo o Censo de 2010, a capital paulista tem 11,2 milhões de habitantes.

Em 2060, as mortes serão 62% superiores aos nascimentos, o que significa que, para cada 100 mortes no Brasil, apenas 62 pessoas irão nascer. O último ano em que os nascimentos vão superar as mortes será 2042. Já no ano seguinte, em 2043, as mortes superarão os partos em 2%, aumentando esse percentual gradualmente até 2060.

População total - 2000/2060

2010195.497.797
2020212.077.375
2030223.126.917
2040228.153.204
2050226.347.688
2060218.173.888
  • Fonte: IBGE

Segundo o IBGE, a projeção para a população total do Brasil, em 2013, é de 201 milhões de habitantes. Os números atingirão 212,1 milhões de pessoas, em 2020, até alcançarem o máximo de 228,4 em 2042. A partir de então, os números entram em um processo de redução, atingindo o valor de 218,2 em 2060, o mesmo projetado para 2025.

"Os gastos com idosos, com a previdência, vão aumentar. Isso terá que ser repensado pelo governo. As políticas públicas vão precisar ser formuladas novamente", diz o pesquisador Gabriel Borges, um dos responsáveis pela projeção.

Segundo o estudo, o fator mais importante para a redução do nível de crescimento da população é a queda da fecundidade, que vem diminuindo desde a década de 1970. Em 2013, o índice de filhos por mulher foi projetado em 1,77. A taxa deve cair para 1,61 filho em 2020, até atingir 1,5 filho em 2030.

  • Arte/UOL

O estudo do IBGE projeta ainda o adiamento da idade média em que as mulheres têm filhos, que em 2013, foi de 26,9 anos. Segundo a pesquisa, a idade será de 28 anos em 2020 e 29,3 anos em 2030.

Expectativa de vida

Os dados do IBGE apontam que os idosos no Brasil deverão representar 26,7% da população (58,4 milhões de idosos para uma população de 218 milhões de pessoas), em 2060. O estudo projeta o percentual em 2013 para 7,4% de idosos (6,3 milhões de idosos em um população de 99,3 milhões de pessoas).

"O envelhecimento da população acima dos 65 anos tem a ver com a diminuição da fecundidade. Você diminui o número de jovens e tem o aumento relativo dos idosos. Mesmo sem o avanço da expectativa de vida, os idosos aumentariam", explica o pesquisador Gabriel Borges.

O envelhecimento da população também será afetado pela queda da mortalidade, que está diminuindo desde a primeira metade do século 20. A esperança de vida para cada criança brasileira nascida em 2013 foi projetada para 71,2 anos para homens e 74,8 para mulheres. Em 2060, sobe para 78 para homens e 84,4 anos para as mulheres, um aumento de 6,8 anos para os homens e 5,9 para as mulheres.

Migração

Segundo a projeção, as maiores perdas de população, em 2030, serão na Bahia e no Maranhão. Por outro lado, os maiores ganhos populacionais serão de Santa Catarina, São Paulo e Goiás, seguindo a tendência observada nos últimos anos.

  • Arte/UOL

Para o pesquisador Gabriel Borges, um dos responsáveis pelo estudo de projeção populacional, mesmo com a diminuição do fluxo em determinados estados, os números continuam importantes.

"Há muitos fatores para as pessoas migrarem, mas de forma geral, a maior parte dos fluxos se dá pelo aspecto de desenvolvimento econômico. As pessoas vão em busca de oportunidades de trabalho", explica ele.

De acordo com as projeções para a migração internacional, o percentual de pessoas que sairá do país vai aumentar até 2020, quando atingirá 0,001 da população. A partir de então, a taxa vai cair até 2035, quando o percentual será o mais baixo desde o ano 2000, em torno de 0,0002.

Cotidiano