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PM agiu dentro do esperado, diz presidente da Câmara do Rio após depredação

Grupo de manifestantes depredou a entrada lateral da Câmara de Vereadores do Rio durante o protesto - Hanrrikson de Andrade/UOL
Grupo de manifestantes depredou a entrada lateral da Câmara de Vereadores do Rio durante o protesto Imagem: Hanrrikson de Andrade/UOL

Felipe Martins

Do UOL, no Rio

08/10/2013 12h12Atualizada em 08/10/2013 13h40

O presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Felippe (PMDB), afirmou nesta  terça-feira (8), em entrevista coletiva na sede do Legislativo municipal, que o policiamento realizado durante o protesto da noite de segunda-feira (7) foi o correto. “A polícia [Militar] agiu dentro do esperado. (...) Nós imaginávamos que o protesto de ontem seria pacífico, por isso não pedimos o isolamento do local”, disse Felippe.

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A manifestação, que contou desde o início com a presença de mascarados, era em apoio aos professores estaduais e municipais - em greve desde o início de agosto. Diferentemente da votação do plano de cargos e salários dos professores, no último dia 2, quando o entorno foi isolado pelos policiais, o policiamento no protesto desta segunda foi reduzido.

O presidente da Câmara disse que se trataram de “situações  diferentes”. “Era uma situação diferente. No dia da votação, o protesto se concentrou na Cinelândia. Ontem, a manifestação começou na Candelária e terminou na Cinelândia, obrigando os policiais a se dispersarem", afirmou. "Não imaginávamos que os Black Blocs viriam com toda a virulência. A Câmara estava protegida pela segurança da Casa, o que não se estava preparado era para essa violência."

Felippe disse ainda que conversou com o comandante da PM, tenente-coronel Jose Luis Castro Menezes, por volta das 19h30, pedindo reforço no policiamento, mas que a ação da polícia acabou desarticulada pela estratégia usada pelos manifestantes. No entanto, o presidente da Câmara afirmou que o trabalho dos policiais garantiu a segurança do Palácio Pedro Ernesto.

"A ação dos Black Blocs foi dispersa. Usaram uma tática de se organizar em grupos, que acabou desarticulando a ação da polícia. Esse prédio correu um risco muito grave de se incendiar”, disse o presidente da casa. “A PM foi obrigada a se dispersar para acompanhar o que era feito por eles. Era bomba, atiradeiras, pedras, todo um instrumental de guerrilha usado por essas pessoas. Quebravam uma agência na avenida Rio Branco, incendiavam um ônibus mais à frente, houve uma tentativa de invasão do QG da PM."

Depredação

Durante o protesto, um grupo de manifestantes jogou ao menos três bombas caseiras (coquetel molotov) na porta lateral da Câmara dos Vereadores pela rua Evaristo da Veiga -- onde há também um quartel da PM. Após a terceira bomba, a porta quase pegou fogo. A confusão começou por volta das 20h. Grupos de manifestantes quebraram também agências bancárias.

Logo depois, dois grupos da tropa de choque da PM cercaram os manifestantes que tentavam colocar fogo na Câmara e conseguiram dispersar o grupo. Cinco ônibus foram queimados no centro da cidade. Um pouco antes, a reportagem do UOL presenciou um intenso confronto entre manifestantes e policiais -- cinco guarnições do choque entraram em ação com dezenas de bombas de efeitos moral e muitos tiros de bala de borracha para dispersar o grupo.

Manifestantes também jogaram muitas pedras no Consulado Americano durante os protestos que ocorreram na noite desta segunda. As janelas da instituição ficaram quebradas. Policiais militares do Batalhão de Choque se posicionaram próximo ao consulado e dispersaram os manifestantes com bombas de gás e de efeito moral.

A entrada do edifício Serrador, sede da empresa de Eike Batista, foi totalmente destruída pelos vândalos. Eles usaram os próprios tapumes para quebrar as vidraças. Na semana passada, policiais e manifestantes entraram em conflito com o saldo de 23 feridos.

Após a entrevista, o presidente da Câmara caminhou com fotógrafos e jornalistas pelas salas, segundo ele, atingidas pela depredação. O gabinete da liderança do DEM foi o local mais destruído, com vidros da janela quebrados e material incendiado.  No chão, havia um morteiro e restos de uma garrafa que, segundo a brigada de incêndio da casa, era de um coquetel molotov lançado por manifestante.

Em outro local atingido, o Gabinete Militar, além dos vidros quebrados havia pedras e um forte cheiro de gasolina. Na sala do cerimonial, restos de um par de sapatos feminino queimado, ainda segundo a brigada militar, jogado por manifestante para provocar incêndio no local.

Felippe isentou o Sepe (sindicato Estadual dos Profissionais de Educação) de responsabilidade no vandalismo que atingiu a Câmara e estabelecimentos comerciais no entorno. Contudo, ele afirmou que a proposta defendida pelo sindicato é incompatível com o orçamento da cidade.

“Nós apresentamos 31 emendas que atendem ao que exige a categoria dos profissionais de educação. A equiparação da hora aula, uma pauta de mais de 60 anos dos professores, foi atendida. No entanto, o Sepe exige um patamar salarial incompatível com a realidade do Rio de Janeiro", disse. "A cidade não tem condição de pagar o que foi proposto por eles."

“A primeira proposta faria com que o professor chegasse a ganhar R$ 132 mil ao final de 30 anos de carreira, a segunda R$ 60 mil e, por fim, agora no processo de votação chegaram a uma proposta salarial que os compararia ao ganho por um ministro do STF. A cidade do Rio não tem a condição de atender isso. Não possui recurso pra isso", afirmou. "É preciso que se diga a verdade."

Destruição na Alerj

No dia 18 de junho deste ano, a região central do Rio de Janeiro já havia presenciado a depredação de uma casa legislativa fluminense: funcionários da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) ficaram presos na Casa enquanto os manifestantes invadiam o prédio por uma janela lateral. Os manifestantes lançaram pedras e bombas dentro do prédio.

Na ocasião, o Batalhão de Choque demorou algumas horas para retomar o controle do prédio e das ruas no entorno. Muitas balas de borracha e bombas de efeito moral foram disparadas pelos PMs, e os manifestantes dispersaram rapidamente após a chegada da polícia.

Os 20 PMs feridos que aguardavam socorro dentro do prédio da Alerj foram retirados do local, assim como os funcionários da Casa.

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