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Atacados com rojões e pedras por moradores, invasores desocupam área em SC

Moradores tocam fogo em barricada montada por invasores de terreno público em Florianópolis - Guto Kuerten/Agência RBS/Agência O Globo
Moradores tocam fogo em barricada montada por invasores de terreno público em Florianópolis Imagem: Guto Kuerten/Agência RBS/Agência O Globo

Renan Antunes de Oliveira

Do UOL, em Florianópolis

21/04/2014 16h54Atualizada em 21/04/2014 21h17

As cerca de 100 famílias de invasores das terras da União no bairro Rio Vermelho, ocupada sábado (19), em Florianópolis, enfrentaram 24 horas de hostilidade e violência por parte de um grupo de moradores da região. Elas cederam à pressão e concordaram com as autoridades em deixar o lugar, voltando para Maciambu, em Palhoça. Durante a tarde, moradores atacaram os sem-terra com rojões e pedradas.

A PM conteve os moradores mais exaltados com bombas de gás e tiros de balas de borracha. Um homem foi detido. Três pessoas ficaram feridas. Às 17h10 o último ônibus com sem terra deixou a área sob escolta da PM. Os moradores comemoraram vitória.

O local invadido é próximo a um campo de golfe do resort Costão do Santinho. Os invasores são os mesmos da chamada ocupação Amarildo. Funcionários uniformizados do resort participaram do despejo, porque, segundo eles, os sem-terra ameaçavam invadir o campo de golfe.

A violência começou às 14h desta segunda (21), quando os moradores atacaram e incendiaram uma barricada que tinham as bandeiras da ocupação. No momento do ataque não havia policiamento suficiente para conter a briga. A tropa de choque foi chamada para separar os grupos.

O estudante de agronomia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Fabio Ferraz, 27, engrossava a barricada atacada. "Tivemos que recuar porque não queremos lutar contra a classe trabalhadora", disse. Os moradores não quiseram dar entrevistas e hostilizaram jornalistas.

Às 16h, depois da chegada do choque, e mesmo enquanto a saída dos sem-terra era organizada pela PM, alguns homens da comunidade provocavam os acampados. Centenas de moradores, mulheres e crianças na maioria, assistiam ao desmonte das barracas, muitos gritando palavrões.

Pouco depois das 16h, um homem não identificado furou a barreira e disparou um rojão contra os invasores, acertando a estudante da UFSC Amanda Castro, que estava entre eles. Ela sofreu ferimentos leves.

Segundo Denilson Machado, do sindicato dos bancários, que participou das negociações pelos invasores, "foi a primeira vez que as autoridades usaram civis na linha de frente para combater o movimento popular". "A invasão se dá numa terra pública, acredito que os moradores foram insuflados a combater o movimento social."

Segundo Pepe da Silva, liderança dos invasores, "os PMs foram embora ao amanhecer, para deixar a comunidade agir contra nós". "Só voltaram depois do incêndio. Isto prova que a PM usou o povo contra nós."

O coronel Araújo Gomes contestou a afirmação dizendo que "os sem-terra tinham uma linha de defesa bem firme, com homens armados com paus e estacas".

O coronel comandou a retirada dos sem-terra em um comboio escoltado pela tropa de choque. Os bombeiros relataram atendimento a três feridos.

O trânsito na rodovia que liga o leste da Ilha ao centro de Florianópolis ficou paralisado por duas horas.

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