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Justiça nega pedido da defesa para que pai de menino Bernardo seja liberado

Lucas Azevedo

Do UOL, em Porto Alegre

02/05/2014 12h01

A Justiça gaúcha negou na manhã desta sexta-feira (2) o pedido da defesa e manterá preso Leandro Boldrini, 38, pai do menino Bernardo, 11. A decisão foi tomada após parecer contrário do Ministério Público ao pedido do advogado para que o médico fosse libertado.

Boldrini está preso desde o dia 14, assim como sua mulher, Graciele Ugolini, 32, e a assistente social Edelvania Wirganovickz, 40. Os três são suspeitos de envolvimento no assassinato de Bernardo, no dia 4 de abril.

Segundo o juiz  Marcos Luís Agostini, da 1ª Vara Judicial da Comarca de Três Passos, onde o menino morava, a revogação da prisão temporária nesse momento, "quando ainda estão em curso várias diligências investigativas, seria medida temerária e prejudicial à completa elucidação do fato".

O magistrado afirmou também que o prazo da prisão temporária ainda não se esgotou - ele terminará no dia 13, data em que o inquérito policial deve estar concluído, segundo a polícia. Até lá, a manutenção de Leandro preso é importante para o término das investigações, sugeriu Agostini.

"Estão em curso diversas diligências investigatórias ainda não concluídas pela autoridade policial, que tramitam em sigilo para não frustrar a investigação. Assim, é imprescindível aguardar o término da investigação e do prazo da prisão temporária, quando então será apreciada a existência dos requisitos para a decretação da prisão preventiva dos investigados", escreveu em seu despacho.

O MP já havia se manifestado sobre o pedido da defesa. Em seu parecer, a promotora de Justiça Dinamárcia Maciel de Oliveira sustentou que a ordem de prisão temporária, ao contrário do que alega a defesa de Leandro Boldrini, não foi expedida por meras suposições, desconfianças ou com base apenas nas palavras de Edelvânia.

"Longe disso, vários outros indícios apontam a perfeita ciência do pai acerca da morte do filho antes mesmo de o corpo de Bernardo ser encontrado e quando todos procuravam o menino ainda, o que o coloca dentro do rol de suspeitos", afirmou.

Entenda o Caso Bernardo

  • O crime

    Bernardo Uglione Boldrini, 11, desapareceu em 4 de abril, em Três Passos (a 470 km de Porto Alegre), no noroeste do Estado. Dez dias depois, o corpo do menino foi encontrado na cidade vizinha de Frederico Westphalen dentro de um saco plástico e enterrado às margens do rio Mico, na localidade de Linha São Francisco.

  • O que diz a polícia

    Para a polícia, o cirurgião Leandro Boldrini, 38, pai do menino, a madrasta, Graciele Ugolini, 32, e a assistente social Edelvânia Wirganovicz, 40, mataram o menino. Boldrini e Graciele são acusados de planejar juntos o crime. Segundo a polícia, o pai de garoto deu para Edelvânia uma receita do remédio que matou o menino. A assistente social participou da morte e da ocultação do corpo.

  • O que dizem os acusados

    A defesa de Leandro Boldrini afirma que a polícia não tem provas contra o pai do menino e usa argumentos "frágeis" para apontá-lo como um dos mentores do crime. Em depoimentos à polícia, a madrasta de Bernardo disse que a morte foi "acidental", após ter dado remédios ao garoto para fazê-lo dormir. Já Edelvânia nega participação na morte, mas admite ter ajudado a ocultar o corpo.

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