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Vereador pede exoneração de funcionária que embargou obra da família em SC

Aline Torres

Do UOL, em Florianópolis

10/09/2014 06h00Atualizada em 10/09/2014 10h12

Após a servidora Elisa Rehn embargar a obra de uma casa na lagoa da Conceição, em Florianópolis, ela foi exonerada do cargo de diretora de fiscalização da Floram (Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina), na semana passada. O MPF investigará se o prefeito Cesar Souza Júnior (PSD) cedeu à pressão de vereadores que desde o começo do ano pressionam pelo afastamento da funcionária, o que poderia se configurar como tráfico de influência.

A casa é propriedade de Karolina Machado, irmã do vereador Badeko (PSD), e fica no Caminho da Costa, uma das regiões mais preservadas do Estado. Também está entre os imóveis ilegais construídos em área proibida na lagoa da Conceição. O embargo da obra na casa da irmã do vereador gerou atritos recentes com Badeko. 

Rehn inspecionava obras ilegais na capital, principalmente construções que afetavam a natureza. Alguns vereadores a acusaram de “autoritarismo” e entregaram um documento informal ao prefeito sugerindo a exoneração. 

Como a carta não foi protocolada, a Câmara não é obrigada a atender a solicitação da imprensa e entregar uma cópia. A prefeitura, por sua vez, diz que não divulga documentos vindos da Câmara.

Reforma geral

O imóvel foi adquirido em 2011, mas do original construído em 1989, com 48 m², pouco sobrou. A casa foi reconstruída com o dobro do tamanho, sem preservar a planta original.

No dia 1° de novembro, Rehn embargou a obra. Mas os trabalhos continuaram até que uma segunda ordem judicial exigiu que os materiais de construção fossem apreendidos.

O prefeito chegou a afirmar que a saída da funcionária não tem relação com a solicitação dos vereadores e teria a ver com a reestruturação do IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis). Rehn é funcionária do IPUF há quase 30 anos e voltará a trabalhar no departamento até o final do ano.

O vereador confirma que assinou o documento pedindo a saída de Rehn, mas não quis dar entrevistas ao UOL. Desde quinta-feira (4), é procurado pela reportagem por telefone. Seus assessores afirmam que ele ligará em seguida, mas não o faz.

Rehn está em tratamento médico e disse que não gostaria de se expor neste momento.

Por pressão do MPF e determinação da Floram, a casa da irmã do vereador será demolida. A proprietária tem até o final do mês para apresentar um projeto de recuperação da área, além de arcar com uma multa de R$ 20 mil por desrespeitar uma liminar da Justiça Federal, expedida em 2005, que exige que as leis de proteção às margens da lagoa da Conceição sejam respeitadas.

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