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Seca em SP faz Bauru entrar em racionamento de água nesta sexta

Wagner Carvalho

Do UOL, em Bauru

19/09/2014 02h27

A autarquia responsável pelo abastecimento de água em Bauru (345 km da capital de São Paulo) anunciou que, a partir das 6h desta sexta-feira (19), haverá rodízio no abastecimento de água na cidade e racionamento no abastecimento que pode chegar a 24 horas de duração. A medida deve afetar cerca de 130 mil pessoas ou um terço da população da cidade.

De acordo com o DAE (Departamento de Água e Esgoto), a medida é necessária devido ao longo período de estiagem e diante do nível crítico do rio Batalha, principal fonte de captação de água potável da cidade, que marca no momento um metro - o ideal é 2,6 metros.

Desde 2006 o nível de captação do rio Batalha não fica tão baixo por causa da estiagem. Na época, o nível da represa atingiu 50 centímetros. Segundo a autarquia, por conta da seca, 14 milhões de litros estão deixando de ser liberados por dia, uma redução de 30% no volume.$escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-infografico','/2014/veja-quais-sao-os-reservatorios-de-agua-da-grande-sao-paulo-1394752281768.vm')
O racionamento no abastecimento nas regiões que recebem água do rio Batalha, onde reside a população afetada, incluirá 36 bairros localizados na região central, na zona sul, na Vila Falcão e na Bela Vista. Os demais bairros, abastecidos por água subterrânea (poços), não serão afetados pela interrupção no abastecimento de água neste momento.

De acordo com autarquia, o critério para definir o esquema de rodízio considera as manobras operacionais possíveis de serem feitas e obedecem a critérios exclusivamente técnicos. “A medida é emergencial e temporária, devendo ser interrompida assim que o sistema voltar a ficar equilibrado”, afirmou o presidente do departamento, Giasone Albuquerque Cândia.

Segundo o órgão, a situação só será regularizada com a volta das chuvas e a normalização do nível do rio Batalha.

A autarquia afirmou que irá disponibilizar caminhões-pipas para auxiliar no abastecimento, mas consumidores que não possuem caixa d'água domiciliar podem ficar desabastecidos por mais de 24 horas.

Moradora relata falta de água há mais de um ano

Apesar da autarquia anunciar oficialmente a necessidade de rodízio no abastecimento e racionamento só agora, a população reclama já há algum tempo sobre os constantes problemas de falta de água na cidade.

A vendedora autônoma Fátima Rossi, 58, conta que só conseguiu tomar banho à 1h20 desta sexta-feira. Moradora no bairro Bela Vista, uma das regiões que deveriam ser afetadas pelo rodízio e pelo racionamento apenas a partir das 6h, ela conta que desde o verão passado falta água, mas agora piorou muito. Ela acredita que o racionamento já existia extraoficialmente. “Há um ano mais ou menos já faltava água, mas era bem menos. Quando acordo, já não tem. Antes de ontem, tomei banho às 3h, porque fui limpar a casa, lavar roupa, enfim, deixar tudo em ordem”, reclama.

De acordo com a moradora, a situação é "horrível". Ela diz ainda ainda que a conta aumentou. “Minha caixa d’água é pequena, acaba rápido”, lamenta. Para fazer o serviço de casa, ela enche a máquina de lavar, baldes e bacias e vai armazenando água.

No início da madrugada, começou a chegar água, mas ainda fraca, sem pressão e insuficiente para encher o reservatório. “Tem que esperar encher a caixa para poder começar o serviço e tomar banho”, reclama Fátima.$escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-lista','/2014/crise-no-abastecimento-1406906033998.vm')

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