Água fornecida pela Sabesp é diferente em cada região de SP

Fabiana Maranhão

Do UOL, em São Paulo

Água em SP é potável, mas qualidade é diferente em cada região

A água fornecida pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) é diferente nas cinco regiões de São Paulo, revela análise da qualidade da água encomendada pelo UOL. O estudo mostra ainda que a água que chega às casas dos paulistanos é potável.

Com a crise de falta de água, multiplicaram-se na capital queixas de falhas no abastecimento, principalmente no período noturno. Os moradores também reclamam do aspecto da água que chega às torneiras.
 
"Além de falta de água constante (mais de cinco vezes em um mês), a água está vindo branca feito leite", relatou a internauta do UOL Renata Andrade, que mora em Artur Alvim, na zona leste. Outro internauta, que se identificou apenas como Fkdima, escreveu: "Aqui na Vila Nova Manchester (zona leste) não faltou água. Em contrapartida, sobrou barro puro nas torneiras". 
 
Para saber se a água de São Paulo é de qualidade, a reportagem do UOL acompanhou em 15 de agosto deste ano uma equipe do laboratório Controle Analítico, que coletou uma amostra de água em cada uma das regiões da capital: área central e zonas leste, oeste, sul e norte. A empresa de análise química privada trabalha em parceria com universidades como a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e a USP (Universidade de São Paulo).
 
Os bairros foram escolhidos de forma aleatória, assim como os locais de coleta. Na Penha, zona leste, e no Capão Redondo, zona sul,  a água foi recolhida em residências. No Bom Retiro, no centro, em um salão de beleza; na Freguesia do Ó, zona norte, em uma creche; e na Lapa, na zona oeste, em um restaurante.
 

Reservatórios de água na Grande SP

Arte/UOL

Confira entre quais reservatórios se divide o abastecimento de água na Grande São Paulo

Raio-x dos sistemas
 
As cinco amostras foram encaminhadas para análise em laboratório. Foram avaliados os 93 parâmetros estabelecidos pela portaria nº 2.914/2011, do Ministério da Saúde, que determina padrões de qualidade da água para consumo humano.
 
O resultado --divulgado um mês após a coleta--, concluiu que a água consumida na capital é potável, seguindo o que estabelece a legislação brasileira. Em nenhuma das amostras foram encontrados coliformes fecais e Escherichia Coli, bactéria presente no intestino humano e de alguns animais e que causa infecção intestinal e urinária.
 
Outra amostra foi coletada em Campinas (a 93 km de São Paulo), cidade paulista mais populosa do Estado fora da Grande São Paulo. Uma equipe do laboratório foi até à cidade em 16 de agosto para recolher água em uma residência, também escolhida aleatoriamente.
 
A ideia de analisar a água de outro município paulista foi comparar a água que chega às casas dos paulistanos à que é fornecida por outra empresa de abastecimento. No caso de Campinas, a companhia responsável é a Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A.). Assim como na capital, a água em Campinas é potável.
 
 

Qualidade da água é diferente nas cinco regiões da capital

O UOL comparou os resultados das cinco amostras coletadas na capital e descobriu que a água fornecida pela Sabesp é diferente em casa região da cidade.
 
Existe diferença nos resultados em 15 dos 93 parâmetros avaliados em laboratório. Nos demais, os resultados são iguais, independente do bairro onde a água foi recolhida.
 
Por exemplo, a água coletada no Capão Redondo, região abastecida pelo Sistema Guarapiranga --2º maior da Grande São Paulo--, apresentou maior índice de cloreto, sódio, sólidos dissolvidos, nitrogênio nitrato e sulfeto de hidrogênio em relação às outras.
 
O cloreto é um composto formado por cloro. É encontrado nas águas superficiais como consequência do despejo de esgoto sanitário e de resíduos de indústrias. O uso do cloro no tratamento da água eleva o nível de cloreto. Em altos teores, contribui para a corrosão dos sistemas de distribuição, além de deixar a água com sabor salgado (saiba mais na tabela abaixo).
 
"Desde que cada amostra esteja dentro do padrão de potabilidade, não há problema nenhum nessa variação dos resultados", explica Bruno Ansara Abreu, engenheiro químico do laboratório.
 
Em nota, a Sabesp afirma que a empresa "cumpre todos os protocolos e usa a tecnologia adequada para fazer o tratamento". Ainda segundo a companhia, "a variação de alguns parâmetros da análise da água é normal e, desde que estejam abaixo dos limites impostos pelo Ministério da Saúde, não trazem risco à saúde da população".
 
Elementos encontrados na água
  • Alumínio
    Elemento natural em águas superficiais e subterrâneas. É usado no tratamento da água, adicionado em alimentos, na fabricação de latas, telhas, papel alumínio e na indústria farmacêutica. Entra no organismo humano por meio da água e dos alimentos. Ingerido em excesso, pode afetar o sistema nervoso e os ossos.
  • Bário
    Elemento químico presente naturalmente na água. Compostos do bário são usados na indústria da borracha, têxtil, cerâmica e farmacêutica. Em grande quantidade, afeta o coração, o sistema nervoso e eleva a pressão arterial.
  • Cloreto/cloro
    O cloreto é um composto formado por cloro. É encontrado nas águas superficiais como consequência do despejo de esgoto sanitário e de resíduos de indústrias. O uso do cloro no tratamento da água eleva o nível de cloreto. Em altos teores, contribui para a corrosão dos sistemas de distribuição, além de deixar a água com sabor salgado
  • Ferro
    Elemento químico presente naturalmente na água. O nível do minério aumenta por causa da erosão do solo e despejo de resíduos por indústrias. O ferro não é tóxico, mas causa mudança de sabor e de cor da água, provocando manchas em roupas e utensílios sanitários.
  • Fluoreto
    Derivado do flúor, é normalmente encontrado na água e nos alimentos, mas em pequenas quantidades. Indústrias como as de vidro e de fios de eletricidade despejam fluoreto nas águas. É adicionado à água pelas empresas de saneamento para prevenir a cárie dentária.
  • Nitrogênio nitrato
    Esgotos sanitários, resíduos industriais e escoamento da chuva por solos fertilizados são as principais fontes de nitrogênio na água. Em grande quantidade, estimula o crescimento excessivo de algas, poluindo a água. O nitrogênio nitrato é tóxico e causa metahemoglobinemia, doença letal em crianças.
  • pH
    Significa 'potencial hidrogeniônico" e mede se a água é ácida, neutra ou alcalina. Varia de zero a 14. Se o valor for entre zero e sete, a água é considerada ácida; entre sete e 14, alcalina; e sete, neutra.
  • Sódio
    Toda água natural possui sódio, assim como plantas e animais. O aumento do nível de sódio na água pode ocorrer por causa do despejo de esgoto e de resíduos industriais. Grande quantidade de sódio muda o gosto da água.
  • Sólidos dissolvidos
    Correspondem a todo resíduo que ficou na água mesmo depois do processo de tratamento. Podem causar danos aos peixes e plantas aquáticas.
  • Sulfato
    Composto presente na água como resultado da dissolução de solos e rochas. Esgoto doméstico e resíduo industrial depositados na água elevam o nível de sulfato. O uso de coagulantes no processo de tratamento também aumenta a taxa de sulfato na água. Presente em grande quantidade, tem efeito laxativo.
  • Sulfeto de hidrogênio
    Gás tóxico que causa cheiro forte na água quando ultrapassa o limite estabelecido pela legislação brasileira. É encontrado em águas superficiais que receberam esgoto doméstico e resíduo industrial e naturalmente em águas subterrâneas.
Fonte: Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo)
 

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