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Presos usam celular para filmar churrasco e pagode em cela de Pedrinhas

Aliny Gama

Do UOL, em Maceió

30/10/2014 12h40

Dez presos do CDP (Centro de Detenção Provisória) do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís (Maranhão), foram filmados usando telefones celulares e portando um facão dentro de uma das celas. O vídeo foi publicado durante esta semana na internet e viralizou, sendo repassado também em grupos de WhatsApp.

O Complexo Penitenciário de Pedrinhas é o presídio mais violento do país. Somente neste ano, trinta presos foram assassinados ali, sendo que algumas das vítimas tiveram os corpos esquartejados. O último assassinato ocorreu no último dia 22, quando o preso Welisson Queiroz da Silva foi encontrado enforcado na Cadet (Casa de Detenção) de Pedrinhas. No ano passado, segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), 60 presos foram assassinados no Estado. As mortes são ocasionadas por brigas entre facções criminosas.

As imagens dos presos foram gravadas durante um churrasco, quando eles improvisaram instrumentos musicais, com baldes e outros utensílios, para tocar músicas de pagode. Durante a festa, um dos presos pede para a pessoa que filma que faça um vídeo da carne assando na churrasqueira elétrica, disposta em cima de uma pia, num espaço dentro da cela. Depois, um deles pega um facão e mostra à câmera.

"Filma aí a carne assando no 'pagodão' tá bom", diz um deles. "É o pagodão da CDP", afirma outro, dando a entender que o vídeo foi feito no CDP de Pedrinhas. "Bate aí a foto da churrasqueira para eu mandar no WhatsApp porque as meninas querem saber. Tá fofa essa cadeia, olha aí, olha aí", afirma outro preso.

No grupo está Leonilson Costa Pereira, o "Lió", que voltou ao sistema prisional em 16 de junho após ser recapturado por policiais do 6° Batalhão portando um revólver 38 com numeração raspada. Lió é acusado de cometer pelo menos oito assassinatos e liderar o tráfico de drogas no bairro Cidade Olímpica. Um dos assassinatos atribuídos a Lió é o do líder comunitário João Batista de Sousa Martins, morto a tiros na frente da mulher e dos dois filhos. Segundo denúncia do MPE (Ministério Público Estadual), Martins combatia o tráfico de drogas na comunidade e foi assassinado a tiros no dia 12 de fevereiro de 2011.

Segundo familiares de presos, o grupo comemorava a separação de integrantes rivais em outro pavilhão. Os criminosos estão divididos entre os do PCM (Primeiro Comando do Maranhão), ramificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) que age nos presídios de São Paulo, e do Bonde dos 40, nome em alusão à pistola .40 de uso restrito da polícia.

Os dois grupos criminosos disputam o domínio nos presídios de Pedrinhas e o tráfico de drogas em São Luís e região metropolitana. Os presos que aparecem no vídeo pertencem ao PCM.

Integrantes do PCM que postaram o vídeo em redes sociais e grupos de WhatsApp tentam disfarçar o nome da facção usando códigos numéricos para não serem descobertos por autoridades policiais. Eles se chamam e nomeiam esses grupos com o código 15.3.12, que corresponde ao número das letras PCM do antigo alfabeto brasileiro.

O CDP de Pedrinhas tem capacidade para 402 detentos e tem, hoje, 500 detentos custodiados. Foi no CDP que 36 presos fugiram na noite do dia 10 de setembro, depois que um caminhão derrubou muro de forma criminosa para internos conseguissem fugir do local.

Desde o dia 27 de dezembro, a revista no local é feita pela PM (Polícia Militar) e pela Força de Segurança Nacional, que está atuando dentro do Complexo de Pedrinhas e em São Luís. A militarização da segurança interna dos presídios fez com que a mortes de presos no local caísse 40%, mas não zerasse.

Resposta

A Sejap (Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária) disse que o serviço de inteligência está analisando o material repassado pelo UOL, nesta quarta-feira (29), mas já adiantou que "as imagens são antigas", contrariando declarações e postagens de integrantes do PCM, que relataram em redes sociais que o churrasco ocorreu recentemente. A prisão de Lió também é um indício de que o vídeo é recente.

Segundo o Governo do Estado, "a situação do Complexo Penitenciário de Pedrinhas vem sendo superada com uma série de medidas adotadas desde janeiro de 2014", como a entrega de duas novas unidades prisionais, presídio São Luís III e penitenciária de Coroatá, e a construção de outros cinco presídios. Outras quatro penitenciárias estão sendo reformadas e ampliadas. O número das novas vagas não foi informado.

A Sejap destacou ainda que “intensificou o trabalho permanente de revistas diárias nas celas, blocos e pavilhões.” “Servidores, funcionários terceirizados e familiares dos internos passam por uma averiguação completa com a utilização de equipamentos eletrônicos, como detectores de metal”, justificou.

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