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Mãe do menino morto no Alemão diz que foi ameaçada por PM na favela

Teresina Jesus, mãe do menino Eduardo, discute com policiais durante o protesto realizado no Complexo do Alemão, no sábado (4) - Marcos de Paula/Estadão Conteúdo
Teresina Jesus, mãe do menino Eduardo, discute com policiais durante o protesto realizado no Complexo do Alemão, no sábado (4) Imagem: Marcos de Paula/Estadão Conteúdo

Aliny Gama

Do UOL, em Maceió

06/04/2015 17h20

A mãe do menino Eduardo de Jesus Ferreira, 10, morto durante operação da polícia no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, Terezinha de Jesus Ferreira, disse que um policial ameaçou-a de morte logo após ela ver o filho assassinado na porta de casa. A ação ocorreu na última quinta-feira (2), e o menino foi atingido por um tiro de fuzil.

"Quando vi meu filho naquela situação agarrei o primeiro policial que estava na frente, tentei agredir e ele apontou o fuzil para mim e disse que poderia também me matar. Eu disse: então me mate! Pode matar já que você matou meu filho, você acabou com a minha vida", disse Terezinha, durante o velório do filho.

O pai do menino, José Maria Ferreira, negou que o filho tivesse envolvimento com o tráfico de drogas ou com qualquer tipo de crime no Alemão. “Meu filho não tinha contato com traficantes, como estão dizendo aí. Não admito que digam que ele estava armado, que estava fazendo coisa errada. Era um filho exemplar, cuidadoso e educado”, disse. “Ele era um menino de bem e foi alvo da polícia destreinada, que saiu atirando para todos os lados.”

O corpo do menino chegou ao Piauí na madrugada desta segunda-feira (6) e está sendo velado no município de Corrente (a 844 km de Teresina). 

Os pais e as duas irmãs de Eduardo, de 14 e 17 anos, chegaram a Teresina na noite de domingo (5). A família passou a noite em um hotel, esperando o voo que trouxe o corpo do menino. O irmão de Eduardo, Leonardo de Jesus França, 26, que mora em Cristalândia (a 30 km de Corrente) já estava na casa dos familiares à espera dos pais e dos irmãos.

No início da manhã, a família seguiu com o caixão em um voo fretado pelo governo do Estado do Piauí para Corrente. O velório está ocorrendo na casa de uma tia de Eduardo, e o corpo deve ser enterrado às 17h no cemitério municipal.

Abalado com a perda do filho, Ferreira disse que ele e a mulher não pretendem mais morar no Rio de Janeiro, onde residiam havia 16 anos. A família está hospedada na casa de parentes e na próxima semana deve começar a procurar um imóvel para alugar.

“Não estamos pensando em processar o Estado agora, vamos enterrar Eduardo e depois é que vamos pensar nisso. A dor de perder um filho é tão grande que não conseguimos pensar ainda nisso, mas queremos justiça”, disse Ferreira.

A família do menino não teve despesa com o funeral e o transporte até o Piauí. O governo do Rio de Janeiro pagou o serviço funerário, com caixão e traslado, além das passagens da família de Eduardo até Teresina. Já o governo do Piauí arcou com as despesas de hospedagem, alimentação e traslado do corpo e translado da família até Correntes.

Outro lado

A PM (Polícia Militar) do Rio de Rio de Janeiro informou, no fim da tarde desta segunda-feira (6), que a DH (Divisão de Homicídios) da Capital investiga o caso, mas não detalhou se a afirmação da mãe de Eduardo sobre a ameaça de morte está sendo apurada.

"Policiais do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) e da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) que estavam na ocorrência estão respondendo a um Inquérito Policial Militar (IPM) e foram afastados do policiamento na rua. As armas dos policiais foram recolhidas para confronto balístico", diz a nota da PM.

Cotidiano