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Cotidiano

Água de Florianópolis tem grande quantidade de esgoto e metais pesados

Aline Torres

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

15/09/2015 20h21

A água que abastece a Grande Florianópolis tem grandes quantidades de coliformes fecais e metais pesados prejudiciais à saúde. A constatação foi feita pela Vigilância Sanitária estadual. O órgão e o Ministério Público autuaram nesta terça-feira (15) a Casan (Companhia Catarinense de Água e Saneamento), responsável pela qualidade do abastecimento.

A empresa também responde a ações civis públicas federais por poluir aquíferos essenciais à população ao jogar esgoto em afluentes que desembocam nos rios de captação de água.

A Diretoria da Vigilância Sanitária Estadual apresentou o relatório de inspeção que aponta 31 irregularidades cometidas pela Casan. Foram analisadas as estações de tratamento dos rios Vargem do Braço e Cutabão, que abastecem a parte central da Ilha de Santa Catarina, o Continente e os municípios de São José, Biguaçu e Palhoça.

Segundo o relatório, as amostras coletadas não respeitam os padrões determinados por lei. Há excesso de alumínio, que pode causar doenças neurodegenerativas e câncer, e de íon fluoreto, que pode causar intoxicação aguda resultando em sintomas gastrointestinais, segundo pesquisa do ambulatório de gastroenterologista do Hospital Universitário. O fluoreto é um veneno cumulativo. Somente 50% do que é ingerido pode ser excretado pelos dos rins - o restante fica acumulado nos ossos e na hipófise, de acordo com a pesquisa.

A análise da Vigilância Sanitária constatou também a alteração na cor da água. O trabalho foi uma ação conjunta com as vigilâncias sanitárias municipais e Polícia Militar Ambiental.

A fiscal da Vigilância Sanitária de Santo Amaro Andreia Borges corrobora as conclusões estudo do Hospital Universitário. A alta concentração de metais pesados no organismo no longo prazo prejudica a saúde da população.

Em outra denúncia, a Casan acusada por jogar esgoto na Lagoa da Conceição, cartão-postal de Florianópolis, no rio Papaquara e na bacia de Ingleses. As ações tramitam no Ministério Público Federal.

Um dos casos mais graves foi denunciado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que detectou no rio Papaquara quantidades muito altas de fosfato, nitrogênio e coliformes fecais, o que comprova vazamento do esgoto. O resultado da poluição é o surgimento de algas e bactérias que consomem o oxigênio da água, causando a morte de outras espécies, além do risco à saúde.

O rio Papaquara deságua na Estação Ecológica de Carijós, um das maiores reservas ambientais do Estado, seus cursos d'água estão conectados com a principal bacia hidrográfica de Santa Catarina, a do rio Ratones. Isso inclui o rio do Brás, que desemboca na praia de Canasvieiras e virou um esgoto a céu aberto.

Em nota oficial, Casan informa que o problema será solucionado no verão. “Sobre a notificação do Ministério Público, a Casan estranha ter recebido esta documentação na frente da imprensa, em especial porque todas as ações apontadas no documento, em questionável tom de denúncia, já foram ou estão sendo providenciadas, como é de conhecimento do próprio Ministério Público."

O texto prossegue informando que o "principal apontamento – principal, pois indevidamente põe em dúvida a qualidade da água distribuída - refere-se à questão da turbidez verificada após chuvas fortes."

Quanto ao Sistema Flocodecantador, "uma obra de conhecimento de todo o Estado de Santa Catarina,está 85% pronta e tem previsão de operação já para a próxima temporada de verão, devendovai solucionar o problema da turbidez verificada após a ocorrência de chuvas. Já a questão do esgoto no Papaquara e Lagoa foi resolvida."

A nota encerra com informações sobre as chamadas questões estruturais da unidade da captação e estação de tratamento. "O que já não foi executado está sendo substituído, num investimento de R$ 1,1 milhão realizado mediante licitação.”

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