Homem confessa assassinato do bebê indígena por "influência de espíritos"

Camila Rodrigues da Silva

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

  • Daniel Caron/FAS

    Crianças seguram cartazes contra racismo durante ato na Casa de Passagem Indígena, em Curitiba (PR), contra a morte do menino indígena Vitor Pinto

    Crianças seguram cartazes contra racismo durante ato na Casa de Passagem Indígena, em Curitiba (PR), contra a morte do menino indígena Vitor Pinto

Matheus de Ávila Silveira, 23, suspeito de assassinar o menino Kaingang Vitor Pinto, de dois anos, nos arredores da rodoviária de Imbituba (SC), confessou o crime nesta terça-feira (13). Ele assumiu a autoria do esfaqueamento durante o terceiro interrogatório a que foi submetido, na tarde de ontem, após 12 dias do cumprimento da prisão temporária. Nos dois interrogatórios anteriores, ele negou a autoria do crime.

O delegado da Polícia Civil de Imbituba, Raphael Giordani, mostrou-lhe os vídeos que captaram sua chegada ao local do crime e o momento em que efetivamente matou a criança, o investigado confirmou ser ele o homem das imagens. Também admitiu que roupas e acessórios apreendidos em sua casa no dia 31 de dezembro, quando foi apontado como suspeito, também eram dele.

Neste mesmo dia, Silveira foi acompanhado por policiais civis e militares até sua casa. Os pais do jovem autorizaram a entrada das autoridades para investigação, e lá foram encontrados calçado, bermuda e luvas semelhantes ao do homem que aparece no vídeo. Naquele mesmo dia, o delegado Rogério Taques, que trabalhava pela Operação Veraneio, decretou sua prisão temporária.

Durante a confissão, Silveira, que estava acompanhado por dois advogados, teria justificado o crime por influências de "espíritos". Segundo ele, "essas entidades" teriam prometido a ele que, se matasse uma criança, o jovem poderia "alcançar seus anseios profissionais e se impor perante a sociedade".

O investigado afirmou que não cometeu o crime contra aquela criança pelo fato de ela ser indígena, e que estava alcoolizado no momento do crime. O delegado descartou crime de xenofobia.

Agressão à família

O delegado Giordani já havia prendido Silveira em flagrante, há dez meses, por conta de uma tentativa de assassinar o próprio pai com uma faca.

Sobre a possibilidade de doenças mentais, o delegado avalia que o comportamento do jovem durante a prisão não aponta para essa hipótese. "Também oficiamos o Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e o médico da família, e nunca houve nenhum encaminhamento nesse sentido", argumentou.

O inquérito policial deve ser concluído nos próximos dias e o procedimento deverá ser enviado ao Poder Judiciário de Imbituba, com a consequente representação pela prisão preventiva do suspeito. Silveira permanece na Unidade Prisional Avançada de Imbituba.

Sobre o caso

Vitor Pinto, um menino indígena de dois anos da tribo dos Kaigangs estava sendo alimentado pela sua mãe, Sônia da Silva, nos arredores da rodoviária de Imbituba no dia 30 de dezembro. Um homem, supostamente Matheus Silveira, fez um carinho no menino e, quando a criança levantou o rosto, degolou-a com um estilete. Vitor morreu no local.

 

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