Cemitério em Maceió tem corpos e ossos expostos aos urubus

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • MPE/Divulgação

    Área de indigentes no cemitério Divina Pastora está abandonada

    Área de indigentes no cemitério Divina Pastora está abandonada

Corpos e ossos de pessoas enterradas como indigentes em Maceió estão expostos a ação do tempo e ataques de urubus no cemitério Divina Pastora, localizado no bairro Rio Novo. O problema ocorre porque indigentes estão sendo enterrados em covas rasas, com apenas um palmo de profundidade.

Além disso, segundo o MPE (Ministério Público Estadual), novos corpos estão sendo enterrados em cima de outros restos mortais porque não há espaço para abertura de novas covas.

O problema foi exposto esta semana, depois que o IML (Instituto Médico Legal) de Maceió fez uma reclamação ao MPE relatando dificuldades de enterrar os corpos que estão sem identificação.

Para não ter de expor corpos sem conservação até o sepultamento, o IML está colocando dois em cada uma de suas gavetas.

"Estamos estrangulados. Para 12 gavetas, temos o dobro de corpos. E a demanda não para.", disse o diretor do IML, Fernando Marcelo de Paula. Ele afirma que o problema da superlotação no Divina Pastora é antigo, "porém é preciso solucioná-lo"

"Quando não for mais possível colocar os corpos no local adequado, restará o depósito em ambiente não refrigerado, o que pode espalhar um odor no entorno do prédio, prejudicando a comunidade vizinha", disse o médico-legista.

MPE/Divulgação
Urubus invadem o cemitério Divina Pastora, em Maceió

Fotos mostrando corpos de indigentes sendo atacados por urubus e ossos espalhados pelo terreno do cemitério foram entregues ao MPE. A área dos indigentes fica no fundo do cemitério e as pessoas têm acesso livremente ao local.

Nesta terça-feira (19), o promotor de Justiça, Flavio Gomes da Costa, inspecionou a área e observou ossos, como fêmur, crânio e arcadas dentárias, espalhados no chão. Além do problema da superlotação, também há suspeita da contaminação do solo, com o enterro de corpos em covas sem impermeabilização.

"Não há como encontrar os corpos catalogados no IML, caso apareçam familiares em busca dos restos mortais de algum parente, pois está tudo misturado. Covas novas estão sendo abertas em cima de covas antigas. O cemitério tem mais de 30 anos e não há ossário para guardar os ossos dos corpos que foram enterrados lá", disse o promotor de Justiça.

A Superintendência Municipal de Controle e Convívio Urbano, da prefeitura de Maceió,  foi intimada para que apresente uma solução para o problema.

A prefeitura de Maceió admitiu que o cemitério Divina Pastora está acima da capacidade porque "está absorvendo sepultamentos de corpos de indigentes de todo o Estado". A SMCCU informou que está estudando uma alternativa para solucionar o problema, mas antes propor ao governo do Estado a mediação com os municípios. 

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