Avião da PF que foi buscar marqueteiro do PT quase colidiu ao decolar

Márcio Neves e Carlos Iavelberg

Do UOL, em São Paulo

O avião da Polícia Federal que foi buscar o marqueteiro João Santana em São Paulo quase colidiu com uma aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira) ao decolar do Aeroporto de Brasília nesta terça-feira (23).

O publicitário e sua mulher, Mônica Moura, chegaram ontem ao Brasil vindos da República Dominicana. Os dois são investigados pela Operação Lava Jato e tiveram a prisão temporária decretada. Santana foi responsável pelas campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014).

Santana e Mônica desembarcaram no Aeroporto de Guarulhos por volta das 9h30 e depois embarcaram em um avião da PF para Curitiba, onde estão detidos.

Esta aeronave, um Beechcraft King Air de matrícula PR-BSI, havia saído de Brasília horas antes. Foi ao decolar da capital federal que ela entrou em rota de colisão com um avião da FAB, segundo a Aeronáutica.

As aeronaves decolaram simultaneamente do terminal às 7h30, mas em direções opostas: a da PF deveria ter feito uma curva à direita, com destino a Guarulhos, mas acabou virando à esquerda e invadiu a área do avião da FAB, que voava com destino a Vitória (ES) sem passageiros.

O controlador de voo percebeu o erro e interrompeu o procedimento passando novas orientações para o piloto da FAB. "O senhor está correto, Força Aérea 2582. Bravo-Sierra e Índia [referindo-se ao avião da PF de prefixo BSI], a sua decolagem deveria ter iniciado a curva à direita, 4,1 mil pés", cobrou o controlador. O avião da PF acabou decolando sem problemas.

Em nota, a Aeronáutica informou que "desde novembro de 2015, o Aeroporto de Brasília opera com decolagem simultânea, tendo em vista que as pistas são paralelas".

Segundo o texto, há três conclusões preliminares que indicam que:

  1. A aeronave PR-BSI (da PF) descumpriu a trajetória prevista e as instruções do controlador;
  2. A aeronave FAB 2582 cumpriu o que era previsto e o que foi instruído;
  3. O controlador de tráfego aéreo do APP-BR agiu prontamente para evitar maiores problemas.

Ainda segundo a Aeronáutica, "a distância entre as aeronaves e as demais circunstâncias presentes estão sendo apuradas em um processo de investigação. Caso se confirmem indícios de desobediência às normas aeronáuticas, o processo será encaminhado à Junta de Julgamento da Aeronáutica, que poderá aplicar sanções administrativas".

Em nota, a PF informou que determinou abertura de apuração interna sobre o incidente e que apoiará a investigação instaurada pela Aeronáutica.

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