Moradores de Alagoas destroem supostos arcos do século 17 atrás de ouro

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Adelmo Monteiro

    Arco que pode ter sido construído no século 17 foi encontrado durante obras da Prefeitura de Porto Calvo

    Arco que pode ter sido construído no século 17 foi encontrado durante obras da Prefeitura de Porto Calvo

Arcos construídos possivelmente na época da ocupação holandesa no Brasil, no século 17, foram encontrados durante obra de construção de anel viário na cidade de Porto Calvo, litoral norte de Alagoas, na segunda-feira (29).

Os arcos estavam no subsolo da rua do Varadouro e, depois de ataques de vândalos, ficaram totalmente destruídos. A construção subterrânea era composta por tijolos revestidos por um material brilhante.

A descoberta atraiu dezenas de "caçadores de tesouros", que acreditaram que existiam ouro, moedas e pedras preciosas escondidas no local. A procura pelos supostos tesouros destruiu a construção e nenhum objeto de valor foi encontrado. Moradores de Porto Calvo acreditam que existam botijas de ouro perdidas e enterradas no subsolo da cidade.

"Os moradores creem que o arco é uma entrada de rede de túneis, usada no século 17, época de Calabar, para esconderijo e fuga dos holandeses. Quando cheguei ao local, já tinham derrubado o arco. Pedi para pararem e recolhi alguns tijolos revestidos com um material brilhoso para informar o achado ao Iphan", disse o diretor municipal de Cultura, Adelmo Monteiro.

No ano passado, arqueólogos encontraram em Porto Calvo um forte do século 17, da época da ocupação holandesa no Brasil. O forte fica localizado no Reduto Ilha do Guedes, às margens do rio Manguaba, numa fazenda particular, e seu acesso só é possível por meio de barco. O local era usado pelos militares antes de seguirem para Penedo, no extremo sul alagoano, e depois irem para a Bahia. Apesar do vasto material histórico existente em Porto Calvo, apenas a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, datada em 1610, é tombada pelo Iphan.

Nesta quarta-feira (2), o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) esteve no local e embargou a obra. Segundo a arqueóloga Rute Barbosa, a obra não tem licença ambiental e, para ter continuidade, deverá ser fiscalizada por um arqueólogo para serem preservados objetos e construções antigas que possam ser descobertas nas escavações.

Segundo Barbosa, não será possível identificar o tipo de construção e para que ela serviu porque a edificação ficou totalmente destruída.

O Iphan informou ainda que notificou a prefeitura para que a obra se enquadre nas normas que devem ser seguidas para preservar o patrimônio histórico. A Prefeitura de Porto Calvo informou que vai contratar um arqueólogo e vai providenciar a licença ambiental para prosseguir a obra.

O Iphan fará um relatório sobre a situação do local para entregar à Polícia Federal. O documento não tem data definida para ser concluído. Ao receber o documento, a Delegacia de Crimes contra o Meio Ambiente e do Patrimônio Histórico da Polícia Federal vai instaurar inquérito para tentar identificar os acusados da depredação dos arcos históricos. Depois, o caso será remetido à Justiça.
 

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