Trecho de ciclovia inaugurada em janeiro desaba no Rio; 2 pessoas morrem

Do UOL, em São Paulo

  • Custódio Coimbra / Agência O Globo

Um trecho da ciclovia Tim Maia, inaugurada em janeiro, no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro, desabou na manhã desta quinta-feira (21). Dois homens morreram, segundo o Corpo de Bombeiros.

As buscas por uma possível terceira vítima foram encerradas no começo da noite. Segundo o Corpo de Bombeiros, os trabalhos serão retomados nesta sexta (22) em horário ainda não determinado.

A princípio, não há risco de novos desabamentos, mas as equipes da prefeitura, do Corpo de Bombeiros e da Concremat, construtora responsável pela obra, estavam analisando a estrutura. O secretário de Governo da Prefeitura do Rio, Pedro Paulo, foi ao local após o acidente e disse que fortes ondas levantaram a estrutura e possivelmente causaram a queda. 

Ouvido pelo UOL, Mauro Viegas Filho, presidente da Concremat, disse que a empresa enviou uma equipe ao local para ajudar no socorro das vítimas e vistoriar a estrutura, mas não tinha ainda nenhuma posição oficial sobre falhas que possam ter causado o acidente, apenas a informação de que ondas altas teriam empurrado a laje para cima e gerado o desabamento.
 
O consórcio Contemat/Concrejato, responsável pela obra da ciclovia, informou em nota que "vai trabalhar incessantemente até que sejam conhecidas as causas do acidente". Segundo o comunicado, "as prioridades neste momento são garantir o atendimento às vítimas e a seus familiares e dar início à apuração acerca das causas do acidente".
 
A empresa diz ainda que "segue todos os protocolos e normas de segurança, utilizando-se das mais modernas técnicas e equipamentos de construção", e que venceu licitação cujo processo "foi supervisionado pelos órgãos de fiscalização competentes."
 
Em nota, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), disse lamentar profundamente o acidente e se solidarizar com as famílias das vítimas. Paes estava em viagem para a Grécia, onde participaria, em Atenas, da cerimônia de passagem da tocha olímpica.
 
"É imperdoável o que aconteceu, já determinei a apuração imediata dos fatos e estou voltando para o Brasil para acompanhar de perto" disse o prefeito, que deixou o Rio na noite de quarta (20).
 
A Prefeitura do Rio informou em nota que técnicos do município estão desde cedo no local. O resultado da vistoria realizada pela Fundação Geo-Rio para apurar as causas do acidente será divulgado assim que concluído, disse o comunicado.
 
De acordo com a nota oficial, os reparos serão executados pela empresa responsável pela construção, sem ônus adicionais ao município, já que a ciclovia ainda está na garantia de obra. A Avenida Niemeyer permanece interditada ao tráfego.
 

Segundo uma testemunha, uma série de ondas fortes teriam batido na ciclovia antes da queda. "A onda varreu a pista, que se desfez como papel", disse o homem. Outra testemunha disse ter visto três pessoas caírem no mar no desabamento.

No Facebook, o usuário Eric Poseidon publicou um vídeo logo após a queda (abaixo). No vídeo, ele pergunta a um bombeiro sobre o acidente. O oficial disse que havia descido na pedra abaixo da ciclovia e não viu ninguém. "Se houver alguém, está dentro da água", afirmou o bombeiro.

Veja imagens da ciclovia que desabou no Rio de Janeiro

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A queda interdita a avenida Niemeyer nos dois sentidos, onde fica a ciclovia. Os motoristas estão sendo orientados a seguir pela Autoestrada Lagoa-Barra.

Com 3,9 mil metros de extensão e 2,5 de largura, a ciclovia da Niemeyer é suspensa sobre o mar e foi inaugurada em 17 de janeiro. A construção começou em junho de 2014, ao custo de R$ 44,7 milhões. A via faz parte do "Complexo Cicloviário Tim Maia", que ligar o Leblon à Barra da Tijuca, na zona oeste, com 7 km de extensão.

Maresia

Antes mesmo da inauguração, em janeiro, já era possível notar marcas de ferrugem nas peças de ferro que prendem as grades na pista, desgaste que seria provocado pela maresia. Na época, a Secretaria Municipal de Obras informou que a Fundação Geo-Rio divulgou que "o material usado no guarda-corpo da ciclovia é um aço especial, adequado para ambiente com alta maresia".

A secretaria reconheceu, no entanto, que havia danos. "Os locais já atingidos pela ação da natureza estão recebendo reparos e não comprometem a integridade da via. Vale ressaltar que a área receberá manutenção rotineira", informou a secretaria, em nota, na época da inauguração.

(Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)

Ônibus é atingido por onda a poucos metros do acidente da ciclovia no RJ

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