Índios do MS enterram vítima em área onde ocorreu conflito com ruralistas

Celso Bejarano

Colaboração para o UOL, em Campo Grande

  • Hélio Freitas/CampoGrandeNews

    Ìndios guarani-kaiowá levam caixão do índio morto durante conflito com ruralistas no Mato Grosso do Sul

    Ìndios guarani-kaiowá levam caixão do índio morto durante conflito com ruralistas no Mato Grosso do Sul

Ao menos 300 índios guarani-kaiowás participaram na tarde desta quinta-feira (16) do velório do agente de saúde indígena Clodioudo Aguile Rodrigues dos Santos, 26, morto a tiros supostamente disparados a mando de fazendeiros, em Caarapó, cidade de Mato Grosso do Sul. Disputa por terra teria motivado a morte. 

O ato foi assistido por integrantes da CDHM (Comissão de Direitos Humanos e Minorias) da Câmara dos Deputados, entre eles os deputados federais Padre João (PT-MG), Paulo Pimenta (PT-RS) e ainda por Zeca do PT, da bancada de MS.

Padre João, que preside a comissão, disse aos índios que vai tentar acelerar o processo de demarcação de terras indígenas, principal causa dos confrontos envolvendo índios e fazendeiros na região.

O corpo do agente foi enterrado no local onde ocorreu a morte, num trecho da fazenda Yva, área que havia sido ocupada pelos indígenas no domingo passado. Os guarani-kaiowás habitam a aldeia Te'yi kuê, território vizinho à fazenda. Os índios reivindicam a localidade há décadas. Por ordem do governo federal, a área em questão é objeto de estudo que vai determinar quem deve ficar na fazenda.

A Funai, por meio da assessoria de imprensa, em Brasília, informou que é "importante ressaltar, nesse contexto, que o ataque se deu na Terra Indígena Dourados-Amambaipeguá I, que teve seu RCID (Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação) aprovado e publicado pela Funai no dia 13 de maio de 2016, no qual, após estudos técnicos de natureza antropológica, etno-histórica, cartográfica, ambiental e documental, reconheceu-se seus limites".

Durante o velório, os índios disseram que vão permanecer na área ocupada desde domingo. Eles também congitaram novas invasões pela região.

Até ontem à noite, seguiam internados seis índios feridos a bala. Os guarani-kaiowás disseram que na terça-feira fazendeiros da região entraram no local onde estavam e dispararam dezenas de tiros, depois foram embora.

Ruralistas 

Na quarta-feira (15), o comando do Sindicato Rural de Caarapó, que confirma a onda de invasões de fazenda na região, emitiu um comunicado informando que nenhum membro da diretoria da entidade tinham participado desta "mobilização e não coordenou nenhum ato".

"Quero que a sociedade me veja como um ser humano"

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Segundo a nota, o dono da fazenda, identificado como Nelson, morador de Campo Grande, cidade distante 273 quilômetros dali, tinha pedido ajuda de colegas para seguirem até a área ocupada e que a "intenção era inibir a presença dos poucos índios que havia na fazenda".

A entidade diz, também, que "lamenta a culpabilidade de um crime sem autoria". O sindicato afirma que os produtores rurais "com medo de retaliação ou reação por parte dos índios, utilizaram fogos de artifícios para dispersá-los".

Já a Polícia Federal, por meio de nota divulgada na noite desta quinta-feira (16), informou que "foi instaurado pela delegacia da PF em Dourados (cidade a 50 km de Caarapó) inquérito policial para apurar os fatos ocorridos entre os dias 12 e 15 de junho do corrente ano, decorrentes de conflito agrário na região de Caarapó/MS".

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