Após furto em loja, empresário decide fazer campanha de arrecadação em SC

Aline Torres

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

  • Mariana Smania

    Parte das roupas arrecadas pela campanha da loja de roupa de Florianópolis

    Parte das roupas arrecadas pela campanha da loja de roupa de Florianópolis

David Mattos, 36, teve sua loja, a Pulp Store, situada no centro de Florianópolis, arrombada cinco vezes nos últimos dois meses. Os prejuízos recorrentes em tempos de crise financeira poderiam alimentar a raiva do comerciante. Mas, ele revidou o último roubo, na madrugada de quarta-feira, 22, com uma campanha do agasalho.

Às três da manhã o telefone tocou. Era a empresa de segurança avisando novamente que a loja tinha sido invadida. David conta que saiu indignado de casa. Os outros furtos tinham custado aproximadamente R$ 4 mil.

"O medo do estrago era grande", disse. Na Pulp Store, havia uma Smart TV, um computador e dinheiro no caixa, além de centenas de peças de vestuário.

Mas quando fez o levantamento, percebeu que apenas dois moletons haviam sido levados. "A situação me desmontou. O nosso prejuízo foi uma vitrine e duas peças de roupas, o deles poderia ser o risco de serem presos ou uma hipotermia com esse frio barra pesada que anda fazendo na ilha", disse.

Comovido com a situação dos invasores, no dia seguinte ele organizou uma campanha contra o frio com direito a pocket show da solidariedade. Os clientes que levaram peças de roupas ganharam desconto de 20% nas compras e uma cerveja de cortesia.

As doações encerram neste sábado (25) às 15h. Até a noite de sexta-feira (24), tinham sido arrecadadas nove caixas abarrotadas de agasalhos, cobertores e sapatos, que serão distribuídos entre os moradores de rua na próxima semana.

Na fanpage da loja, o empresário escreveu "decidimos atacar a violência sofrida de um jeito diferente, vamos fazer o revide da paz". A publicação foi compartilhada 1.942 vezes e recebeu quase oito mil curtidas.

David espera que a campanha minimize um pouco a dor de quem está sem abrigo. O frio em Florianópolis está rigoroso. No dia 12 de junho fez 0,6 °C. Segundo o engenheiro agrônomo do Climaterra Ronaldo Coutinho, desde que a estação meteorológica mais antiga da cidade foi instalada, há 115 anos, não fazia uma temperatura tão baixa. Segundo a Defesa Civil, há aproximadamente 400 pessoas vivendo nas ruas.

Sem queixa na polícia

As câmeras de vigilância da Polícia Militar identificaram dois moradores de rua indo em direção à loja no horário do furto. Segundo o 4°Batalhão da PM, as ruas do Centro são alvos constantes de arrombadores.  Mas, a maioria, leva o que há de mais valioso.

David não registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil. Ele explicou que já é conhecido pelo delegado, que o cumprimentou da última vez com a frase "mais um roubo, seu David?"

"Eu também não registrei queixa porque não os considero ladrões, são pessoas desesperadas, tentando sobreviver", concluiu.

Está com frio? Imagine a situação de moradores de rua. Veja como ajudar

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