Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Chefe da Polícia Civil do Rio pede demissão e reclama de falta de recursos

Do UOL, no Rio

  • Tomaz Silva/Agência Brasil

    Fernando Veloso disse que a polícia não está conseguindo investigar

    Fernando Veloso disse que a polícia não está conseguindo investigar

Um dia após a confirmação do pedido de demissão do Secretaria de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, foi a vez do chefe de Polícia Civil, Fernando Veloso, anunciar a sua saída do cargo nesta quarta-feira (12). O delegado está no comando da instituição desde janeiro de 2014.

Em entrevista ao "Bom Dia Rio", da TV Globo, ele afirmou que já havia solicitado exoneração da função pública "há algum tempo", desde o período anterior às eleições de 2014, mas que acabou conversando com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e concordando em permanecer no cargo até 2016.

Procurado pela reportagem do UOL, o Palácio Guanabara informou que ainda não foi notificado da decisão de Veloso. O pedido de demissão deve ser oficialmente entregue entre quinta e sexta-feira desta semana. Não há, por enquanto, informações quanto a possíveis substitutos.

Veloso atribuiu a sua saída do cargo ao cansaço e às dificuldades provocadas pela crise financeira no Estado. "A polícia não está conseguindo investigar o que precisa ser investigado. Nosso trabalho foi reduzido", disse ele, em entrevista ao telejornal "Bom Dia Rio".

Com exceção da Divisão de Homicídios, para a qual conseguimos manter os recursos, as outras unidades da instituição trabalham de forma precária. Até o combustível dos carros é racionado. O policial civil faz o melhor possível, mas fica em uma situação delicada quando percebe que o próprio sustento da família é incerto. É necessário que se entenda a importância da investigação.

O delegado destacou ainda que a missão de chefiar a Polícia Civil do Rio exige dedicação excessiva, o que prejudica as relações familiares. "A gestão da Polícia Civil é muito complexa. Muitas vezes, 24 horas não são o suficiente. É uma função que deve ser exercida durante um determinado período de tempo e, depois, precisa ser entregue a outra pessoa", declarou. "Agora, vou me dedicar mais à família."

Em uma carta assinada por Veloso e publicada na página da instituição no Facebook, o policial agradece o apoio dos colegas e disse que, juntos, fizeram o "impossível" diante de "cenários extremamente desfavoráveis". Ele também saudou o substituto de Beltrame, Roberto Sá, que assumirá a pasta da Segurança Pública na próxima semana, e disse deixar o cargo com a sensação de missão cumprida.

"Chefiá-los, durante estes anos, foi tarefa estimulante, prazerosa e revigorante porque, mesmo nos momentos mais difíceis, na solidão que o cargo por vezes nos impõe, eu sempre soube que poderia contar com cada um dos senhores e senhoras para o cumprimento de nossas missões."

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