Após um ano e ação do MP, objetos doados por famosos a vítimas de Mariana vão a leilão

Rayder Bragon

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

  • Emerson Felipe Shabbat/Prefeitura de Mariana

    Camisa da seleção autografada por Zico em benefício de vítimas da barragem de Mariana

    Camisa da seleção autografada por Zico em benefício de vítimas da barragem de Mariana

Após mais de um ano da tragédia de Mariana (MG) e sob intervenção do MP, objetos doados por pessoas famosas vão a leilão, na noite desta quarta-feira (21), no Centro de Convenções da cidade mineira. O caso foi marcado por impasse entre a prefeitura local e o MPE-MG (Ministério Público Estadual de Minas Gerais).

O rompimento da barragem da mineradora Samarco, em novembro do ano passado, matou 19 pessoas [um corpo ainda não foi localizado] e lançou um mar de lama na bacia do rio Doce. O colapso da estrutura foi considerado o pior desastre ambiental do país.

De acordo com o promotor Guilherme de Sá Meneghin, da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Mariana, os objetos foram recebidos pela prefeitura que, sem uma suposta explicação plausível, não realizou o leilão em tempo considerado razoável.

Ainda conforme Meneghin, somente em seguida a uma reportagem sobre "engavetamento" de várias ações de ajuda aos atingidos, a prefeitura repassou diretamente, em julho deste ano, os objetos aos representantes das famílias atingidas.

Entre os mais de 20 itens, estão uma camisa e um agasalho da Seleção Brasileira autografados pelo ex-jogador Zico [lance mínimo de R$ 800 para cada um desses dois itens]. Um relógio de pulso doado pelo apresentador Faustão, além de um livro de receita repassado pela apresentadora Ana Maria Braga.

O promotor disse, no entanto, ter sido procurado pelas vítimas, que alegaram não ter condição de realizar o leilão nem zelar pela segurança dos objetos.

"O prefeito [Duarte Júnior - PPS] tinha prometido leiloar os objetos e doar o dinheiro aos atingidos, só que ele não cumpriu essa promessa. Ele simplesmente engavetou e não fez nada", disse Meneghin.

Enquanto isso, os atingidos não sabiam o que estava acontecendo", afirmou o promotor.

Após o encontro com os moradores, o promotor disse ter entrado na Justiça com uma Ação Civil Pública pedindo a anulação do repasse dos objetos aos atingidos feito pela prefeitura. Segundo ele, a decisão judicial favorável ao MP determinou à prefeitura que, além de retomar os itens, fosse responsável pela guarda até o leilão.

"A gente teve uma audiência depois da liminar do juiz, eles [representantes da prefeitura], de fato, recolheram e guardaram os objetos. Nessa audiência, a gente entrou em um acordo para que, de fato, a prefeitura realizasse o leilão", declarou.

Meneghin disse que a administração local ainda foi obrigada a contratar um leiloeiro com experiência comprovada para conduzir o evento, que será fiscalizado pelo Ministério Público. O valor arrecadado vai ser depositado em uma conta judicial e, posteriormente, os representantes das 350 famílias dos atingidos irão decidir, em assembleia, o que fazer com o montante arrecadado.

O promotor disse que o valor total a ser arrecadado não deverá ser alto em razão da crise econômica do país.

A Prefeitura de Mariana, por meio da procuradoria do município, informou que a administração municipal não vai se manifestar sobre o assunto.

Após 1 ano, moradores vão para Mariana ver condições das casas

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