Princípio de tumulto em Bangu é contido por grupamento tático

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Hanrrikson de Andrade/UOL

    Parentes de presos formam fila na porta do Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio

    Parentes de presos formam fila na porta do Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio

Agentes penitenciários do GIT (Grupamento de Intervenção Tática) foram acionados nesta quarta-feira (18) por conta de uma briga envolvendo detentos da cadeia Esmeraldino Bandeira, no Complexo de Bangu, na zona oeste carioca. O tumulto foi contido sem a necessidade de ação violenta, relatou o presidente do SindSistema (Sindicato do Servidores do Sistema Penal), Gutembergue de Oliveira, que estava no local. A versão foi confirmada pelo governo do Estado por meio da Seap (Secretaria de Administração Penitenciária).

Gutembergue relatou que estava na porta do Complexo de Bangu, nesta manhã, junto a outros colegas que participam da greve da categoria, iniciada na terça-feira (17). A confusão dentro da cadeia disparou o alarme, segundo ele, e alguns inspetores e agentes grevistas correram para ver o que estava acontecendo. Nesse momento, jornalistas e curiosos que estavam no local acreditaram que poderia se tratar de uma rebelião. Posteriormente, a hipótese foi negada pela Seap, em nota.

O presidente do SindSistema relatou ter homens do GIT no interior da unidade, e disse que "só a presença" do grupamento foi o suficiente para que os presos recuassem. "Não houve uso de armamento não letal ou qualquer outra força", destacou. A Seap informou que "não houve necessidade de incursão". No total, a cadeia Esmeraldino Barros tem capacidade para 992 presos, mas hoje abriga 1826 detentos, com 184% de ocupação.

Inspetores penitenciários relataram que a briga ocorreu porque alguns detentos recém-chegados na unidade não se submeteram a regras de convívio determinadas pelas lideranças entre os presos. A situação gerou uma discussão, que evoluiu para agressões mútuas envolvendo um grupo de seis internos. Nesse momento, de acordo com o presidente do sindicato, só havia três agentes para garantir a segurança de todo presídio.

Gutembergue relatou que os seis envolvidos no tumulto ficaram "levemente feridos". A Seap, por outro lado, negou que algum detento tenha sofrido ferimentos em razão do tumulto.

Reprodu??o/Ministério P?blico Federal
Ocupante de uma das celas de Bangu, Luiz Carlos Bezerra (à dir.) afirmou que o presídio está um "barril de pólvora". Ele é suspeito de ser operador do esquema de propina do ex-governador Sérgio Cabral (centro)

Paralisação

Os servidores grevistas não estão desempenhando qualquer tarefa que não seja "essencial" --como alimentação, emergência médica e cumprimento de alvará de soltura. Com isso, foram vetadas as visitas de familiares e a entrada de novos presos. Também não estão sendo feitas transferências e a saída de detentos para audiências em varas criminais.

Sem o pagamento das horas extras do segundo semestre de 2016 e também sem as gratificações por metas desde 2015, os agentes reclamam ainda o pagamento do salário de dezembro e do 13º. Eles prometem permanecer assim até a próxima segunda, quando haverá uma nova assembleia.

Os trabalhadores também reclamam das más condições de trabalho -- ao UOL, dois agentes relataram sob a condição de anonimato uma rotina de insegurança e pressão. "Tem presídios com 3.000 pessoas e um efetivo de oito, nove, dez pessoas trabalhando em um dia bom", afirmou um agente.

Em nota, a Seap afirmou que, mesmo com a greve, possui um "plano de segurança para manter a rotina das unidades prisionais". "A situação está dentro da normalidade", informou o órgão, em nota.

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