Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

PM do Rio confirma arrastão em Bonsucesso, mas nega em outros locais

Ronald Lincoln Jr

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Fernando Frazão/Agência Brasil

    Houve boatos de que um grupo de assaltantes atuava na Baixada Fluminense; PM diz ser mentira

    Houve boatos de que um grupo de assaltantes atuava na Baixada Fluminense; PM diz ser mentira

Em meio ao protesto de parentes de policiais, muitos boatos de que bandidos realizavam arrastões na região metropolitana do Rio circularam nesta sexta-feira (10), o que causou susto em moradores e comerciantes. Em contato com UOL, assessoria da PM (Polícia Militar) confirmou que houve roubos no bairro de Bonsucesso, na zona norte, mas desmentiu outras histórias que circularam nas redes sociais.

Familiares de policiais realizam desde a madrugada desta sexta-feira um movimento para tentar barrar a saída dos agentes dos batalhões, assim como ocorreu no Espírito Santo. O comando da PM, no entanto, afirma que 95% do efetivo da Polícia Militar está atuando normalmente.

Em São de Meriti, cidade da Baixada Fluminense, houve um boato de que um grupo de assaltantes atuava na região central e comerciantes chegaram a fechar as portas durante a tarde. Mas, segundo o comando do 21º Batalhão, esta informação não procede e o patrulhamento ocorre normalmente.

Outro local em que o medo fez comerciantes baixarem as portas foi o Carioca Shopping, na Vila da Penha. No entanto, o comando do 41º Batalhão negou que tenha ocorrido arrastão na região. Em seguida, o centro comercial voltou a funcionar normalmente.

O local que foi de fato afetado foi Bonsucesso. Houve relato de arrastão na região, mas a polícia chegou até o local e prendeu suspeitos. "Na região, os policiais militares detiveram dois suspeitos com objetos roubados que teriam sido reconhecidas por vítimas. Ocorrência encaminhada para a Cidade da Polícia", diz em nota.

Comerciantes da Penha, bairro próximo a Bonsucesso, ficaram com medo do arrastão na vizinhança e fecham as lojas, mas a PM afirmou que não houve registro de arrastão na localidade. No fim da tarde, a região recebeu policiamento ostensivo.

Polícia e familiares de PMs batem boca em bloqueio no Rio

 

Os familiares protestam contra o atraso do 13º salário e do RAS (Regime Adicional de Serviço) das Olimpíadas. Os parentes reivindicam também que os salários voltem a ser pagos em dia, o que não acontece há pelo menos um ano, além de melhores condições de trabalho.

Em entrevista no começo da noite, o secretário de Segurança Pública, Roberto Sá, fez um apelo às famílias de policiais e pediu "um tempo mínimo" para que o governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB) pague o 13º salário e adicionais de metas e jornadas extras atrasados. Segundo o secretário, se o governo tiver êxito nas votações na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) na semana que vem, serão tomadas "medidas administrativas" para iniciar tais pagamentos, como a elaboração de um calendário.

"As causas são legítimas", disse Sá. "Mas preciso dizer também que eles não estão desassistidos."

O secretário se disse preocupado com a forma como as famílias estão protestando e citou o que está acontecendo no Espírito Santo, onde um movimento similar desencadeou uma onda de violência que, segundo policiais civis, deixou mais de 100 mortos desde sábado (4).

De acordo com Sá, impedir os policiais de trabalhar não vai ajudar a acelerar o recebimento dos pagamentos atrasados e ainda coloca toda a população em risco, inclusive as próprias famílias de oficiais.

"A polícia é a última barreira para a barbárie", afirmou.

Sá também criticou a disseminação de boatos por meio de plataformas como WhatsApp, Facebook e Twitter. Na quinta (9), o governador Pezão disse que quem espalha rumores deve ser preso.

"É importante que a sociedade tenha responsabilidade quando recebe uma notícia e repassa. Isso causa um pânico que não interessa a ninguém."

O secretário também agradeceu o profissionalismo das polícias civil e militar e disse que os prefeitos de Rio, Niterói e Duque de Caxias colocaram suas guardas municipais à disposição para auxiliar em rondas.

Sobre uma eventual participação das Forças Armadas e da Força Nacional, Sá disse que ambas estão "em condições de atuar" no Rio. "Espero não precisar", afirmou.

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