Cidade do RN tem 12 assassinatos em 48 h após morte de PM

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Beto Macário/UOL

    Centro de Natal ficou "deserto" em janeiro, durante a crise de segurança pública que atingiu a região metropolitana

    Centro de Natal ficou "deserto" em janeiro, durante a crise de segurança pública que atingiu a região metropolitana

Treze pessoas foram assassinadas em menos de 48 horas na cidade de Ceará-Mirim, na Região Metropolitana de Natal. No final da tarde de segunda-feira (20), o policial militar Jackson Sidney Botelho Matos, 42, foi morto com oito tiros à queima-roupa. Nas horas seguintes, a cidade de 73 mil habitantes registrou outros 12 homicídios. Segundo o IML, as vítimas tinham entre 17 e 42 anos e eram do sexo masculino. A polícia investiga se há relação entre os assassinatos. 

A análise dos corpos das vítimas aponta que todas foram atingidas por tiros na cabeça – principal característica de execução. Alguns corpos têm perfurações de tiros também nos braços e nas mãos, o que sugere que houve tentativa de defesa durante a abordagem. Doze corpos já foram identificados, sendo nove deles por meio da necropapiloscopia (comparação de impressões digitais) e outros três por meio de exame de arcada dentária, realizado pela odontologia legal do Itep-RN (Instituto Técnico-Científico de Perícia). A 13ª vítima ainda não foi identificada nem reconhecida por familiares.

Matos era sargento da Polícia Militar lotado no 11º Batalhão do município de Macaíba, a cerca de 30 km de Ceará-Mirim. Ele estava de folga em uma lanchonete da família e foi surpreendido por dois homens, que chegaram em um carro não identificado e dispararam 16 tiros contra ele -- oito atingiram a vítima. Segundo a PM, a ação dos criminosos foi rápida, o policial não teve reação e morreu no local. Nenhum suspeito foi preso.

As quatro primeiras mortes registradas após o assassinato do sargento ocorreram na noite de segunda-feira no bairro Baixa do Rato, periferia de Ceará-Mirim. Segundo a polícia, duas casas foram invadidas por homens encapuzados. Em um dos imóveis, foram mortos com tiros na cabeça o servidor público Eudes Costa de Andrade, 40, e seus dois filhos, Kleberson Wendel Andrade, 22, e Emanuel Cleiton Andrande, 18. Em seguida, dois homens invadiram a casa do catador de material reciclado Marcos Antônio de Oliveira, 34, e o mataram na frente da mulher e de quatro filhos.

Outros cinco assassinatos ocorreram na terça-feira. Foram mortos Eudes Costa de Andrade, 40, Adelmakson Nascimento Sena, 25; Luciano Duarte Júnior, 27, José Soares dá Silva, 17, e Marcílio Maurício Damasceno do Nascimento, 24.

Os três últimos assassinatos aconteceram na madrugada desta quarta-feira. Segundo a polícia, dois homens encapuzados invadiram duas casas e mataram três pessoas com tiros na cabeça. Dois irmãos, Wendison Silva Ferreira, 21, e Wanderson Emanuel Ferreira, 22, foram assassinados juntos. Já a terceira vítima, Paulo Henrique Josué Soares, 19, tentou fugir, mas foi atingida pelos tiros.

Todas as vítimas foram abordadas por homens encapuzados que usaram moto ou carro para se locomover. Até agora nenhum suspeito foi identificado ou preso.

Nesta quarta-feira, a Degepol designou um delegado especial, Julio César Costa, da DPGran (Delegacia de Polícia da Grande Natal) para coordenar a investigação. A polícia não descarta nenhuma hipótese e analisa se os 12 assassinatos têm relação com a morte do PM.

A Polícia Civil informou que só divulgará informações quando os inquéritos forem concluídos. A Polícia Militar afirmou que não vai se pronunciar sobre o assunto até que os crimes sejam elucidados.

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