Mãe de bebê de 3 meses está entre vítimas de chacina em baile no RN

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Reprodução

    Eriely Neves é uma das cinco vítimas de uma chacina em um baile funk de Mossoró

    Eriely Neves é uma das cinco vítimas de uma chacina em um baile funk de Mossoró

Mãe de uma bebê de 3 meses, Eriely Amanda de Sousa Neves, 21, é uma das cinco vítimas de uma chacina ocorrida na noite de sábado (11) em um baile funk em Mossoró (a cerca de 280 km de Natal).

Segundo amigos, Eriely era recém-casada e parou de trabalhar para se dedicar à filha. A jovem estava próxima ao banheiro da casa de eventos Aeroporto 2 quando foi atingida por um tiro na cabeça e morreu no local. O UOL tentou contato com o marido de Eriely, Matheus Rodrigues, mas até a publicação deste texto ele não respondeu às mensagens.

Familiares e amigos deixaram mensagens no perfil da jovem em uma rede social. O irmão de Eriely, João Victor Nunes, lamentou a morte da jovem afirmando que "infelizmente nós nunca sabemos quando é o nosso último dia" e pedindo para que ela cuide da filha onde estiver. "Só Deus sabe a dor que meu coração está sentindo. Vai ser difícil ficar o resto da vida sem teu sorriso na terra. Eu te amo tanto minha irmã. Você vai ter pra sempre seu espaço no meu coração, só tenho lembranças boas de você. Queria tanto entender porque você se foi minha irmã?!", disse.

Nunes destacou ainda que queria ter se despedido da irmã em vida, mas "infelizmente não deu tempo". "Você disse que estava com saudades e me mandou aparecer. Infelizmente, não deu tempo, queria ter me despedido. Quando eu sentir saudades te chamarei no brilho das estrelas. Que a justiça de Deus seja feita", afirmou o irmão da vítima.

A amiga Karol Barbosa disse que ainda "não caiu a ficha" sobre a morte de Eriely e que vai guardar para sempre a amizade dela no coração.  "Quando eu recebi a notícia da sua morte eu não acreditei, quando isso passa pela minha cabeça é a hora que bate o desespero, é a hora que eu fico sem saber o que pensar; é a hora que a saudade aperta que não tem como o coração não chorar", afirmou.

Débora Lima, outra amiga de Eriely, destacou a morte cruel. "Quanta crueldade, você não merecia. Jamais vou esquecer daquele sorriso que só você tinha", escreveu Lima.

Outras quatro pessoas morreram no baile funk: Eduardo Nunes Farias, 19, Israel Gomes Bezerra, 19, Kaynan Gomes, 16, e Jociê Morais da Fonseca, 20, um dos organizadores do evento.

Ao perceber que a casa de eventos havia sido invadida, o estudante Eduardo Nunes Farias tentou sair do local correndo, mas foi perseguido por um dos criminosos. Ele foi alvejado por tiros no quarteirão vizinho à casa de eventos.

Israel Gomes Bezerra trabalhava numa rede de supermercados atacadista. Ele tinha ido ao local levar uma amiga que iria participar da festa e morreu na porta da casa de festas ao ser atingido por um tiro na cabeça.

O estudante Kaynan Gomes, conhecido como MC Kay, foi mais uma vítima da chacina. Ele trabalhava como DJ e foi atingido por tiros próximo ao portão de entrada da casa de eventos.

Um dos organizadores do baile funk, Jociê Morais da Fonseca, foi atingido por tiros dentro da casa de festas. Socorrido para o Hospital Regional Tarcísio Maia, morreu durante atendimento médico. Ele trabalhava como produtor de eventos e também era DJ. Em seu perfil no Facebook, o jovem fez a divulgação da festa e, em um dos anúncios, informava que o baile funk havia mudado de local por questões de segurança.

Outras seis pessoas ficaram feridas. A polícia investiga a motivação do ataque e informou, nesta segunda-feira (13), que ainda não identificou nenhum suspeito de cometer o crime.

Segundo o Hospital Regional Tarcísio Maia, os feridos estão internados, foram submetidas a procedimentos cirúrgicos, estão em estado de saúde estável e não correm risco de morte.

Investigação

Segundo a polícia, testemunhas relataram que cinco homens armados com fuzis e espingarda calibre 12 chegaram em um carro preto na casa de festas e invadiram o local já atirando. Houve tumulto. A chacina foi registrada pela Delegacia de Plantão de Mossoró. Nesta segunda-feira (13), o caso foi repassado para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa.

O delegado Rafael Arraes, titular da DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa), afirmou que manterá a investigação sob sigilo. ""Ainda é cedo para afirmar o que pode ter motivado o crime", diz ele. Arraes destacou que vai intimar os responsáveis por promover a festa e os familiares das vítimas para prestar depoimento à polícia ao longo da semana. A polícia não informou os nomes das pessoas que serão intimadas. A polícia tem o prazo de 30 dias para concluir o inquérito.

O UOL tentou localizar os proprietários da casa de eventos, mas ninguém atendeu às ligações para os números dos telefones do local.

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