Topo

CUT faz acordo para shows do 1º de Maio na República e ato político na Paulista

Após acordo com a Justiça, apenas a concentração e o ato político do evento de 1º de Maio da CUT serão na avenida Paulista - Fernando Nascimento/Sigmapress/Estadão Conteúdo
Após acordo com a Justiça, apenas a concentração e o ato político do evento de 1º de Maio da CUT serão na avenida Paulista Imagem: Fernando Nascimento/Sigmapress/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

30/04/2017 17h27

Após um impasse com a Prefeitura de São Paulo, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) entrou em acordo com o TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e mudou a programação de 1º de Maio, prevista anteriormente para ocorrer na avenida Paulista. Agora, apenas a concentração e o ato político serão feitos no local, ao passo que os shows que encerrarão o "1º de Maio da Resistência" serão realizados na praça da República.

O acordo se deu em audiência com o TJSP após a CUT entrar com recurso contra a decisão de proibir as atividades na avenida Paulista a pedido da Prefeitura de São Paulo. O TJSP, na decisão, alegou que é preciso "se dar a isonomia à manifestação da CUT e a outras já ocorridas na av. Paulista, inclusive com a utilização de caminhão de som".

Em nota, Prefeitura de São Paulo comunicou que foi informada pelo TJSP da decisão e que "reafirma sua disposição de colaborar com a Central Sindical na realização de seu evento na praça da República".

Eventos limitados na Paulista

A intenção original da CUT, que organiza o ato ao lado das centrais sindicais CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadores do Brasil) e a Intersindical (Central da Classe Trabalhadora), era de realizar os shows em frente ao Masp, na avenida Paulista. A prefeitura, porém, alegando que um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) --assinado durante a gestão Haddad (PT)-- estabeleceu um limite de eventos culturais na Paulista, acionou a Justiça para impedir tal propósito.

Para o prefeito João Doria (PSDB), a CUT não fez solicitação formal para realizar o evento na cidade. "A CUT apenas anunciou que faria na avenida Paulista e na Paulista não pode." O tucano, em declaração feita neste domingo (30), disse ainda que deu autorização prévia para a central sindical realizar seu evento no vale do Anhangabaú, também na região central de São Paulo, como fez no ano passado. "Lá tem espaço, tem acesso. Na avenida Paulista, não pode por determinação ratificada por um desembargador de Justiça, não porque não queremos", disse.

Sobre a logística do evento, acordado neste domingo, a Prefeitura comunicou, em nota que "CUT poderá realizar um ato político na avenida Paulista, com um carro de som, sem shows. O veículo deverá permanecer estático nas proximidades da Rua da Consolação". O comunicado ainda diz que "não será possível a interrupção da rua da Consolação, via utilizada pelo transporte público e uma das poucas transversais da avenida Paulista completamente aberta ao tráfego nos domingos e feriados".

Antes de a CUT chegar ao acordo com o TJSP, o tribunal havia determinado o pagamento de uma multa de R$ 10 milhões caso a central decidisse realizar os shows na avenida Paulista.

"Instrumento de formação política"

Agora, com o fim do imbróglio, as centrais sindicais que organizam o ato pretendem fazer da programação cultural --cujas atrações musicais já confirmadas são Emicida, Mc Guimê, Leci Brandão, As Bahias e a Cozinha Mineira, Ilu Obá de Min, Bixiga 70, Mistura Popular, Marquinhos Jaca e Sinhá Flor-- um "instrumento de formação política, em especial com a juventude".

"Por isso trabalhamos para manter as intervenções culturais que encerrarão as atividades, assim como estava previsto. O ato político está mantido na Paulista, palco das grandes últimas manifestações protagonizadas pela população de São Paulo”, explica o presidente estadual da CUT-SP, Douglas Izzo. Em nota, os organizadores também afirmam que o ato "será de luta e resistência contra o maior ataque aos direitos trabalhistas, previdenciários e sociais já ocorridos na História do Brasil".

Atos de outras centrais sindicais

Outras centrais sindicais também realizarão atos de comemoração de 1º de Maio na capital paulista. Com o lema "Direitos, Empregos e Aposentadoria Digna", o evento da Força Sindical será realizado na praça Campo de Bagatelle, zona norte de São Paulo.

Para o presidente da central, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (Solidariedade), deputado federal da base aliada do governo Temer --mas que votou contra o projeto de reforma trabalhista na Câmara dos Deputados--, "o movimento sindical deve ser protagonista, propor soluções, encaminhamentos e lutar no convencimento da sociedade e dos parlamentares sobre a necessidade de mudanças nas propostas de reformas da Previdência e trabalhista".

O ato da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), que seria realizado no Memorial da América Latina, foi transferido para o Sambódromo do Anhembi. Já a UGT (União Geral dos Trabalhadores) não organizará um evento, mas estará presente na missa em homenagem ao Dia do Trabalhador na Catedral da Sé, representado por seu secretário-geral Canindé Pegado.