Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Rio: 'Mesmo embaixo do carro, ameaças continuaram', diz marido de grávida atropelada em assalto

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Arquivo Pessoal

Grávida de três meses, Flávia Ahrends, atropelada na última sexta-feira (7) durante assalto no bairro de Higienópolis, zona norte do Rio de Janeiro, segue internada nesta segunda-feira (10) para realizar a retirada do bebê.

Uma câmera de segurança na região mostra Flávia, o marido, Eduardo Baptista, e o enteado de 10 anos caminhando tranquilamente por uma rua sem movimento na região até um carro se aproximar e atropelar a família. Flávia caiu no chão. Neste momento, um dos criminosos desce do carro e dá uma facada em Eduardo. A criança não se feriu na ação.

Eduardo disse que, mesmo caída, a esposa continuou a receber ameaças.

Ela foi parar embaixo do carro e continuou sofrendo ameaças. Diziam que iam matar ela e eu tomei uma facada sem reagir ao assalto. Não precisava disso. A Flávia estava muito abalada. Era nosso primeiro filho juntos. Ela teve sangramento na hora, mas não me contou imediatamente, pois estava preocupada com o meu ferimento. Depois, ao fazer a ultra, recebemos a notícia que o bebê não sobreviveu.

Eduardo Baptista, marido de vítima atropelada durante assalto

Ele disse ainda que o filho, que estava na companhia do casal, está traumatizado e impressionado com tudo o que ocorreu.

Reprodução/Facebook/eduardo.baptista.739
Grávida é atropelada durante assalto no Rio de Janeiro. O bebê morreu

"Ele não consegue dormir mais no quarto dele. Só quer dormir comigo. Está muito assustado", disse.

O nome do primeiro filho de Eduardo e Flávia seria Arthur. A família foi abordada na rua Fernando Valdez, quando voltava de uma festa julina. Eles tinham o hábito de estacionar o carro naquele local. Baptista conta que nunca havia sido assaltado na região.

"O máximo que aconteceu comigo por ali foi ter o vidro do carro quebrado. Estacionei e quando voltei, a janela foi quebrada e pertences levados. É uma sensação de tristeza e revolta neste momento."

2º caso de violência envolvendo grávida

O bairro de Higienópolis, na zona norte da capital fluminense, registrou nos cinco primeiros meses do ano, 2.242 ocorrências de roubo, segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública). Somente no mês de maio, foram contabilizados 544 registros. O maior número de ocorrências ocorreu no mês de março --595 casos.
 

Esse foi o segundo caso de violência envolvendo mulheres grávidas no Rio. No último dia 30, Claudineia dos Santos Melo foi baleada na favela do Lixão, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Ela também estava grávida e teve de ser submetida a uma cesariana de emergência. A criança está paraplégica, mas o quadro pode ser reversível.

Na última sexta-feira (7), ela gravou um vídeo comentando a recuperação do bebê.

"Primeiramente quero agradecer a Deus e a todos pelas orações. Continuem orando pelo meu filho e por mim para que nossa recuperação venha a ser excelente."

Ainda na sexta-feira, a equipe médica responsável pelo tratamento do bebê no hospital de Duque de Caxias realizou uma entrevista coletiva de imprensa para detalhar a cirurgia de descompressão da medula ocorrida na última terça-feira (4).

O estado de saúde de Arthur ainda é grave. Apesar disso, os médicos manifestaram otimismo quanto à recuperação dos movimentos das pernas da criança após o sucesso da operação.

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