Arrastões assustam bairro nobre de São Paulo e moradores montam "grupo de segurança"

Demétrio Vecchioli

Colaboração para o UOL

  • Reprodução/Google Street View

    Bairro Jardim Marajoara, em São Paulo, virou alvo de seguidos arrastões

    Bairro Jardim Marajoara, em São Paulo, virou alvo de seguidos arrastões

Os arrastões chegaram a bairro nobre da cidade de São Paulo: o Jardim Marajoara, localizado entre as avenidas Washington Luiz e Interlagos e o Cemitério Congonhas, na Zona Sul da cidade. Nesta quarta-feira (12), a região foi alvo do segundo arrastão em menos de três semanas. Além disso, moradores relatam que o número de assaltos cresceu de forma exponencial nos primeiros meses do ano. Para se proteger, eles passaram a se mobilizar nas redes sociais e a ligar para o 190 sempre que veem alguém "suspeito".

"Nos últimos dois meses, não vira uma semana sem furto, assalto, ameaça com arma e outros crimes assim. Em 2015, nós tivemos oito assaltos no todo. No ano passado, subiu para 15. Este ano, em seis meses, já foram 21", diz Cláudia Sisla Maksoud, vice-presidente da Associação dos amigos do Jardim Marajoara.

O celular dela "não parou de apitar" durante o dia, depois de mais um arrastão na rua Ministro Álvaro de Sousa Lima, onde fica a entrada para o cemitério particular.

"Não tem como fugir. Eles vêm de moto, fecham a rua com uma moto de cada lado e saem roubando. No tempo de ligar no 190, eles já foram embora. Como é um lugar onde não dá para manobrar, é muito estreito, eles elegeram esse ponto", conta Lyn Caro Ferian, moradora de um condomínio em frente ao ponto escolhido pelos bandidos.

Ela é uma das mobilizadoras de um "grupo de segurança" que tem se reunido mensalmente com um major da Polícia Militar, o delegado da 99ª Delegacia de Polícia, que fica ali perto, e empresas que prestam serviço de segurança na região. "O que a gente combinou é: em caso de suspeita, ligar no 190. Quanto mais ligações no 190, melhor, porque aumenta a estatística do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) e aumenta o número de viaturas", argumenta.

Lyn está organizando um protesto para daqui a cerca de 10 dias para chamar a atenção das autoridades e aguarda apenas a autorização da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Os arrastões, porém, não são o único problema. A assistente-executiva Karolina Kanaan, por exemplo, foi assaltada voltando do trabalho e recebeu coronhadas na cabeça. "O bandido desceu da moto, pediu celular, eu reagi, não quis entregar, e ele ficou dando coronhadas, tentando me enforcar. O parceiro dele desceu da moto e eles ficaram me batendo até eu soltar o celular", conta. "Eu nasci ali. Nunca vi desse jeito que está hoje. Está perigoso andar na rua", reclama.

De acordo com a associação de moradores, há ainda relatos de roubos de carros e assaltos a residências. Em uma delas, o proprietário foi amarrado diante da esposa grávida de oito meses. Em outro caso, um casal saiu para almoçar e encontrou a casa "limpa".

Em nota, a Polícia Civil disse que o 99º DP instaurou inquérito para apurar os roubos registrados na manhã desta quarta e que as vítimas estão sendo chamadas para prestar depoimento. Ainda segundo a polícia, nos últimos três meses, o DP instaurou 33 inquéritos para investigar roubos e identificou 19 autores que tiveram prisões decretadas pelo Judiciário. A SSP (Secretaria de Segurança Pública) ressalta que "o trabalho das polícias resultou na redução de 21,5% nos roubos na região (do Campo Grande) nos primeiros cinco meses do ano, na comparação com 2016". Na comparação com 2015, a queda foi de mais de 53%.

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