RS tem 232 presos em delegacias e viaturas devido à superlotação em presídios

Luan Santos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

  • Divulgação/Brigada Militar

    Por falta de vagas em presídios, detidos no Rio Grande do Sul têm sido alocados dentro de viaturas

    Por falta de vagas em presídios, detidos no Rio Grande do Sul têm sido alocados dentro de viaturas

A crise no sistema prisional do Rio Grande do Sul ainda está longe de ter um fim. Atualmente, 232 detentos aguardam vagas em penitenciárias do Estado e estão alocados em delegacias e até em viaturas da Polícia Militar e da Força Nacional de Segurança. No Estado, a população prisional já chega a 36.641 presidiários.

A situação mais crítica está em Porto Alegre. No município, 82 detentos estão na espera de uma vaga em presídios. O maior número de pessoas está no instituto prisional Pio Buck, onde são 71 sob a guarda de agentes da Polícia Militar. Na unidade alguns ficam em salas e outros estão dentro das próprias viaturas da Brigada Militar.

Os veículos foram obrigados a permanecerem no pátio do Pio Buck para fazer a custódia dos presos. Alguns ficam dentro do automóvel, no porta-malas e até do lado de fora algemados ao cinto de segurança. Nas duas Delegacias de Pronto Atendimento, a soma de detentos chega a 11.

Os dados do Departamento de Polícia Metropolitana, da Polícia Civil, mostram ainda mais. Na Delegacia de Canoas, são 55 pessoas à espera, seguido de 30 em Gravataí, 18 em Novo Hamburgo, outros 18 em Alvorada, 16 em São Leopoldo e 13 em Viamão.

"Temos presos que tem ficado, em média, quinze ou vinte dias nas delegacias. No momento temos alguns que estão há mais de 35 dias e já tivemos situações de presos que aguardaram por 45 dias", disse o delegado do Departamento de Polícia Metropolitana, Fábio Mota Lopes, ao UOL.

O caos já dura seis meses. Em novembro do ano passado, o governo chegou a adotar um micro-ônibus para custodiar os presos e tirá-los dos carros. A medida emergencial durou pouco, e o problema continua.

O UOL conversou com o presidente da Ordem dos Advogados do Rio Grande do Sul, Ricardo Breier. Ele afirmou que o problema é decorrente da falta de discussão do governo. "O sistema prisional é caótico, fruto de uma política ausente em investimentos e planejamentos", disse. "Estão abrindo vagas, mas ainda são poucas, são atos pontuais e nós entendemos que necessitamos de soluções para médio e longo prazo".

Breier falou ainda sobre as condições dos detentos em meio à lotação nas unidades prisionais. "Prejudica a integridade física e moral do preso". Ainda segundo o Presidente, a OAB-RS cobra do Governo do Estado do Rio Grande do Sul para que soluções emergenciais sejam apresentadas.

Por meio de de nota, a Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários do Rio Grande do Sul), subordinada à SSP (Secretaria da Segurança Pública), disse que "a busca é incessante para que presos não fiquem nas delegacias de polícia, o que ocorre devido à superlotação dos presídios e aumento do número de prisões nos últimos 18 meses, de quase seis mil pessoas".

Na nota, a Susepe diz ainda que "outro esforço feito é para realizar a abertura e ocupação dos módulos 2, 3 e 4 do Complexo Prisional de Canoas, que irá gerar mais 2.415 vagas. A galeria A do módulo 2 do Complexo Prisional de Canoas (Pecan 2) foi aberta na terça-feira passada (11), gerando mais 144 vagas que estão sendo preenchidas aos poucos". 

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