Violência em São Paulo

PMs suspeitos de matar estudante com taco de madeira são presos em SP

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo Pessoal

    Gabriel Paiva, 16 anos, morto após ter sido espancado na zona sul de SP, em abril

    Gabriel Paiva, 16 anos, morto após ter sido espancado na zona sul de SP, em abril

O estudante Gabriel Alberto Tadeu Paiva, 16, morreu em 20 de abril deste ano depois de ter sido agredido na cabeça com pedaços de madeira na Cidade Ademar, zona sul de São Paulo. Suspeitos da agressão, os PMs (policiais militares) Jefferson Alves de Souza e Thiago Quintino Meche estão presos preventivamente desde o dia 19 de julho.

Os PMs já haviam sido presos preventivamente em abril, depois de pedido de feito pela Justiça Militar. Depois de 30 dias, foram soltos e cumpriam, durante a investigação em curso, escala em serviço administrativo. No último dia 18, a Justiça comum também decretou a prisão preventiva dos acusados, por mais 30 dias.

O decreto foi assinado pela juíza Débora Faitarone porque um dos PMs procurou uma testemunha do crime para intimidá-la, segundo a investigação. De acordo com a juíza, a nova prisão se fez necessária porque há "periculosidade social dos agentes". 

Em depoimento à Polícia Civil, ao qual o UOL teve acesso, os policiais militares afirmaram ser inocentes e alegaram que, quando encontraram o adolescente, ele já estava caído no chão.

"Espancaram para matar"

Segundo familiares, Gabriel Paiva estava reunido com amigos na rua, na noite de 16 de abril, um domingo. Em um dos carros, se ouvia funk. De acordo com testemunhas que prestaram depoimento à Polícia Civil, quatro PMs ameaçaram os jovens, um deles com uma espécie de taco de madeira, para dispersá-los.

Após a agressão, Paiva foi internado em coma induzido com um coágulo no cérebro e morreu quatro dias depois. Um familiar da vítima, que pediu para não ser identificado, afirmou que, assim que os PMs chegaram, todos correram. "Ele ficou para trás. Um dos policiais pegou, bateu na cabeça dele com a madeira. Com a pancada, ele bateu a nuca na caçamba de lixo e caiu", disse.

De acordo com o delegado Pedro Luis de Souza, quem teria agredido o jovem é o PM Jefferson de Souza, já conhecido pelos moradores da região por abordar jovens em bailes funk com um pedaço de madeira.

A comerciante Zilda de Paiva, 46, mãe de Gabriel afirmou que ouviu das testemunhas que a intenção dos PMs era clara. "Queriam matar meu filho. Espancaram para matar. Conseguiram o que queriam", disse. O advogado Ariel de Castro Alves, que representa a família e é membro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), afirmou que "é importante que os PMs fiquem presos porque representam riscos às vítimas e testemunhas". 

Outro lado

Segundo os PMs, em depoimento colhido no 80º DP (Distrito Policial), na Vila Joaniza, ocorria um baile funk na região e a população acionou a polícia para dispersar os jovens.

Em dado momento, uma mulher os avisou que Gabriel estava machucado e caído no chão. Tendo, somente neste momento, ciência do que havia acontecido com o estudante. De acordo com os policiais, eles socorreram o adolescente assim que viram ele caído.

Procurada, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) do Estado de São Paulo informou que o inquérito policial sobre o caso foi concluído e dois policiais foram indiciados. O caso foi encaminhado para o Fórum para determinação judicial. 

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