Mãe com medo de violência no parto levou arma para maternidade. E acabou presa

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL

  • Arquivo Pessoal

Paula Aghata de Oliveira, 28, tomou uma decisão desesperada para evitar que fosse mal tratada durante o nascimento do seu quarto filho, em agosto de 2016: levou uma arma para o parto. Absolvida depois de um ano, a dona de casa explica que não tinha intenção de machucar ninguém.

Antes deste episódio, em abril de 2015, Paula foi ao Hospital Geral de Pirajuçara, em Embu das Artes, onde mora, para dar à luz seu terceiro filho, Alan, mas as coisas não saíram como esperado. "Eu sofri muitos maus-tratos", conta a dona de casa ao UOL. "Desde negligência médica a falarem coisas horríveis. Eu cheguei a cair da maca com a barriga para baixo e não tive atendimento."

A criança nasceu sem nenhum problema, mas o episódio deixou Paula com alguns traumas. "Eu não quis nem prestar queixa contra o hospital, estava traumatizada", conta.

Menos de um ano depois, a jovem se viu grávida mais uma vez. "Como meu pai tem trombose, não posso tomar anticoncepcional e o SUS [Sistema Único de Saúde] demora para fornecer o DIU", explica Paula. "Como tinha sido tudo muito recente, fiquei desesperada. Estava tudo novo na minha cabeça. Não consegui ajuda com psicóloga, então comecei a surtar."

Seu plano era juntar dinheiro para pagar um parto de cesariana em um hospital particular. "Mas não consegui. Foi quando eu tive a infeliz ideia de comprar uma arma", lembra Paula.

Segundo ela, o objetivo não era ameaçar nenhum dos profissionais que participariam da operação, mas para atentar contra a própria vida se passasse por uma situação semelhante. "Eu não ia passar por aquilo tudo de novo, preferia me matar."

No final de agosto, Paula deu entrada no Hospital de Itapecerica às 6h com a arma escondida em uma sacola. Por volta das 17h, quando viu que seu pedido de cesariana não seria atendido, Paula começou a surtar e revelou o plano para a mãe. "Eu mandei uma foto da arma e disse que, se não tivesse saída, ia me matar", lembra.

Arquivo Pessoal
Paula Aghata de Oliveira foi presa por 21 dias após levar arma à maternidade

Desesperada, a mãe foi ao hospital e avisou uma das assistentes de enfermagem, que, por sua vez, chamou a polícia. Paula recebeu voz de prisão por porte ilegal de arma e teve o quarto filho, Samuel, por meio de uma cesariana.

Depois de três dias no hospital, foi levada para Centro de Detenção Provisória (CDP) de Franco da Rocha, na grande São Paulo, onde passou 21 dias, até receber liberdade provisória. Neste tempo, o mais difícil foi ficar longe do filho recém-nascido. "Eu não podia amamentar, nem vê-lo", conta Paula. "Foi muito difícil. Só não pirei porque tenho muita fé em Deus."

Dez meses depois, no dia 11 de julho deste ano, a jovem foi absolvida pela 2ª Vara de Itapecerica da Serra.

"Foi uma decisão justa. A juíza e a promotoria entenderam que ela não queria causar mal a ninguém", afirma o advogado Lucas Aguil Caetano ao UOL. "Ela estava passando por um desequilíbrio emocional, foi uma clara estratégia de defesa."

Grávida de sete semanas do quinto filho, Paula diz estar mais tranquila e que não repetiria o ato. "Agora está tudo bem."

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