Criminosos roubam grupo de pessoas que dormia em fila por entrevista de emprego no Rio

Eduardo Carneiro

Colaboração para o UOL

  • Reprodução/Padre Miguel News

Um grupo de pessoas desempregadas que formava uma longa fila para participar de um processo seletivo sofreu com a ação de criminosos na madrugada desta quinta-feira (31) em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A Polícia Civil investiga o caso. Ninguém foi preso.

Segundo relatos das vítimas, cerca de 70 pessoas, entre homens e mulheres, aguardavam para preencher um cadastro e disputar uma vaga em um estabelecimento comercial na Estrada General Americano Freire. Por volta das 5h, três bandidos chegaram armados em um carro branco com um fuzil AR 15 e uma pistola e anunciaram o assalto.

"No momento do assalto eu estava chegando. Tentei me esquivar, mas não deu. Eles renderam entre 10 e 15 pessoas na fila e levaram documentos e celulares", disse ao UOL um homem de 26 anos que preferiu não se identificar e teve o telefone roubado.

Arquivo Pessoal
Mulher de 22 anos que conseguiu escapar dos assaltantes, mas machucou o pé

Uma mulher de 22 anos que conseguiu escapar dos assaltantes também falou em anonimato à reportagem. "Muita gente correu, eu acabei tropeçando e me machuquei feio. Não consigo colocar o pé no chão. Teve um menino que foi pisoteado e perdeu um dente. Outro levou dois tapas na cara do bandido", conta ela.

De acordo com o homem de 26 anos, a violência poderia ter sido ainda pior. "O (bandido) que estava no banco do motorista mandou um dos bandidos atirar, mas graças a Deus ele não atirou", diz ele. Logo após a ação, os criminosos fugiram no carro branco e não foram localizados.

A ação dos bandidos inconformou as vítimas – algumas estavam no local desde as 23h e dormiram na rua para ter um melhor lugar na fila. "De verdade... Roubar desempregado... É por isso que o nosso país não vai para frente", afirmou o homem de 26 anos.

A jovem de 22 anos diz que chegou ao local da entrevista às 3h40 a pé, pois não tinha dinheiro para comprar passagem. "Não podemos nem sair de casa para ir tentar uma vaga de emprego porque está muito perigoso. Tenho uma filha de sete meses e na hora só vinha ela na minha cabeça".

O 14º Batalhão da Polícia Militar (Bangu), que tem Padre Miguel como uma de suas áreas de atuação, disse em nota que a unidade não foi acionada para a ocorrência na madrugada de quinta-feira, mas uma das vítimas relatou que policiais foram chamados e chegaram a fazer ronda no local.

Já a Polícia Civil informou que a equipe da delegacia da área (34ª DP) está investigando o caso. Imagens de câmeras da região do comércio serão usadas para tentar identificar e prender os autores do crime, e as vítimas estão sendo chamadas para prestar depoimentos.

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