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Falha no fornecimento de energia atinge 600 mil na capital e região metropolitana de SP

Alguns semáforos da avenida Paulista pararam de funcionar após interrupção no fornecimento de energia. O problema causou trânsito intenso e outros transtornos - Fábio Vieira/Fotorua/Estadão Conteúdo
Alguns semáforos da avenida Paulista pararam de funcionar após interrupção no fornecimento de energia. O problema causou trânsito intenso e outros transtornos Imagem: Fábio Vieira/Fotorua/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

26/09/2017 11h08Atualizada em 26/09/2017 16h30

A capital e cidades da região metropolitana de São Paulo registraram uma interrupção momentânea no fornecimento de energia elétrica na manhã desta terça-feira (26). O problema afetou ao menos 600 mil consumidores, segundo a concessionária AES Eletropaulo. 

A falha durou ao menos três minutos, segundo o ONS (Operados Nacional do Sistema Elétrico), órgão federal que controla a produção e distribuição de eletricidade. Ele foi causado pelo desligamento momentâneo de uma subestação elétrica -- estrutura que recebe a energia gerada e a envia para uma estrutura de distribuição.

Mesmo breve, a interrupção foi suficiente para causar transtornos, como o desligamento de semáforos e a redução da velocidade da circulação de trens.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) afirmou que se for constatada falha de planejamento, operação ou manutenção por parte de alguma empresa evolvida na cadeia de produção e distribuição de energia, os responsáveis podem ser punidos.

Esse tipo de interrupção não causa risco a equipamentos elétricos, segundo o professor Ernesto Ruppert Filho, da faculdade de engenharia elétrica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

"Quando cai um raio em cima de uma casa, ocorre uma alta tensão nos cabos que alimentam aquela casa. Então, queima os aparelhos. O [acidente] de hoje, segundo a CTEEP [concessionária elétrica], apenas desligou uma subestação", disse.

"É que nem você apagar uma lâmpada. Ela apaga e quando você aperta de novo, ela liga. Foi isso o que aconteceu", disse.

Segundo concessionária elétrica AES Eletropaulo, a zona oeste da capital foi a mais atingida, principalmente nos bairros da Lapa, Pinheiros, Morumbi, Butantã, Vila Madalena, Sumaré e Jaguaré.

Em trechos de Osasco e Cajamar, na região metropolitana, também houve desligamentos. 

A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) informou que os trens da linha 11 Coral circularam com intervalos maiores entre as estações Luz e Guaianases por causa da falta de energia.

As linhas 1-Azul e 2-Verde do metrô também foram afetadas. Segundo o Metrô de São Paulo, houve falha de abastecimento de energia na subestação primária da região da Saúde, na zona sul da capital, afetando o funcionamento das duas linhas. Por volta das 11h, apenas os trens que circulavam na linha 1-Azul om velocidade reduzida.

Na linha 4-Amarela, escadas rolantes pararam de funcionar e filas se formaram nas estações Butantã e Pinheiros. Usuários afirmaram que os trens também circularam com intervalos maiores. A Via Quatro, que é quem administra a linha, confirmou ao UOL o funcionamento tem velocidade reduzida por causa da queda de energia.

Semáforos da avenida dos Bandeirantes, na zona sul, ficaram apagados. A via é uma das mais importantes da cidade, pois é um dos principais acessos ao Aeroporto de Congonhas.

A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) ainda não informou quantos semáforos foram afetados pela interrupção da energia, mas disse que está com toda a sua equipe na rua para reativar os aparelhos prejudicados pelo apagão.

A interrupção do fornecimento de energia na região também teve consequências em outros municípios do interior de São Paulo, porque gerou oscilação na frequência do Sistema Interligado Nacional --que reúne todas as empresas que produzem e transmitem energia elétrica no país.

Origem do problema

A AES Eletropaulo informou que o problema que causou a interrupção no fornecimento de energia elétrica aconteceu nas linhas de transmissão da CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica de São Paulo).

A falha desligou 20 subestações da concessionária e atingiu ao menos 600 mil clientes da distribuidora.

A CTEEP é responsável pela transmissão de aproximadamente 60% da energia consumida na região Sudeste. Por meio de nota, a companhia informou que interrupção do fornecimento de energia à Eletropaulo foi ocasionada por um desligamento na subestação Milton Fornasaro, na capital paulista, ocorrido às 10h33. "Equipes de manutenção da empresa atuaram para o restabelecimento da energia, que foi normalizado às 10h46. As causas do ocorrido estão sendo apuradas pela companhia", informa o texto.

A CPFL Energia (Companhia Paulista de Força e Luz), que atende vários municípios do interior, confirmou por meio de nota que a falha ocorrida em São Paulo gerou oscilação na sua frequência e que o problema foi sentido em unidades industriais. "algumas unidades industriais localizadas na área de concessão apresentaram perdas de carga, acionadas automaticamente em função dos respectivos sistemas de proteção de equipamentos", informa o texto.

Fraquezas do sistema elétrico

Especialistas ouvidos pelo UOL afirmaram que falhas como essa seriam causadas pelas empresas do setor não melhorarem seus equipamentos e estruturas.

"Normal não é", disse o professor Ruppert Filho em relação à interrupção no fornecimento nesta terça-feira.

"Se for uma subestação grande, de alta potência, na qual estão ligadas todas as linhas ou de outras subestações ligadas a esta, que caíram, é possível ter esse tipo de incidente. Não tem remédio. Não deveria ser assim, mas é assim que é"

"Cada subestação deveria ter mais subestações para que o sistema ficasse mais robusto" disse.

Segundo Ildo Luís Sauer, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da USP (Universidade de São Paulo), em geral, as empresas do setor cumprem as exigências legais para operar, mas não investiriam muito em melhorias do sistema.

"O Brasil tem os melhores recursos naturais do mundo para energia, o que falta é organização, planejamento e gestão", disse sem se referir a nenhuma empresa em específico.

"Essa é mais uma face da crise brasileira, que se reflete na gestão elétrica. Mais um sintoma. As empresas cumprem seu papel. Se elas não são empurradas para aumentar a qualidade, elas não vão fazer isso. Os acionistas querem o lucro. E o prognóstico não é positivo", afirmou Sauer.

Segundo ele, empresas do setor ainda operariam com equipamentos eficazes, porém muito antigos. Isso aumentaria a vulnerabilidade do sistema como um todo a falhas como a desta terça-feira.

A agência reguladora Aneel disse que aguarda um relatório do Operador Nacional do Sistema sobre a falha. Com base nele vai decidir se alguma empresa foi responsável pela interrupção da energia em São Paulo.

Eventuais penas podem ir de advertência a multa de até 2% do faturamento anual da empresa.

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