Tribunal de MG reduz pena do goleiro Bruno por assassinato de Eliza Samúdio

Daniela Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Renata Caldeira/TJMG

O TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) decidiu nesta quarta-feira (27) reduzir em 18 meses a pena do goleiro Bruno Fernandes, condenado pela morte de Eliza Samúdio. Com a determinação, a pena passará de 22 anos e três meses de prisão para 20 anos e nove meses. 

A redução da pena de Bruno se deve à prescrição do crime de ocultação de cadáver, segundo o TJ-MG. A votação dos três desembargadores foi unânime em favor do goleiro. 

Bruno foi condenado também pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e sequestro. Os crimes ocorreram em 2010, quando o jogador foi preso, acusado de envolvimento no assassinato de Eliza Samúdio, com quem teve um filho.

O TJ-MG reduziu ainda a pena de Fernanda Gomes de Castro, namorada de Bruno na época do crime. Segundo o tribunal, a pena dela de 5 anos de reclusão foi substituída para 3 anos de medidas alternativas. Os crimes de sequestro e cárcere privado também prescreveram.

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A defesa de Bruno afirmou que a decisão do tribunal é "satisfatória". "Para quem está preso há oito anos, um ano e meio já faz muita diferença", disse o advogado Fábio Gama. 

Bruno obteve habeas corpus em fevereiro de 2017, às vésperas do Carnaval, e imediatamente assinou contrato de duas temporadas com o Boa Esporte. Depois de dois meses defendendo o time de Varginha, retornou à prisão por determinação do TJ-MG. O goleiro está preso no Presídio de Varginha, no Sul de Minas.

Gama afirmou que Bruno deseja agora passar do regime fechado para o semiaberto, e que a decisão desta quarta "pode ajudar" no trâmite na 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais de Varginha.

No início de agosto deste ano, ele recebeu autorização da Justiça para dar aulas de futebol a crianças e adolescentes em uma entidade de assistência social. A decisão da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais de Varginha, onde o jogador cumpre pena, determinou que ele será buscado no pátio do presídio para ser levado ao trabalho, sem contato com outras áreas externas ou pessoas de fora da entidade.

As aulas vão permitir que o goleiro reduza seu tempo da pena. O trabalho e o tempo de prisão a ser reduzido serão avaliados pela Justiça, de acordo com relatórios sobre frequência e disciplina que devem ser enviados pela ONG a cada três meses.

O goleiro já cumpriu quase sete anos da pena em regime fechado. Ele chegou a ficar dois meses em liberdade, através de uma liminar, entre fevereiro e abril deste ano.

Durante o período, atuou pelo Boa Esporte, de Varginha, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro de futebol. Ele chegou a ser agredido em jogos, o clube perdeu patrocinadores, e um abaixo-assinado nas redes sociais pedia que times não contratassem o goleiro enquanto ele não dissesse onde está o corpo de Eliza.

Bruno volta a campo 7 anos após ser preso

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Recurso contra certidão de óbito de Eliza

O TJ-MG analisou também um recurso da defesa de Bruno para anular a certidão de óbito de Eliza Samúdio.

Por 2 votos a 1, os desembargadores mantiveram a validade do documento. Segundo a certidão, Eliza foi morta por esganadura em 10 de junho de 2010, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo o advogado de Bruno, o recurso era uma tentativa de extinguir o documento e pedir, em seguida, a anulação do julgamento. 

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