Polícia prende três suspeitos de negociar venda de bebê por R$ 100 mil no Rio Grande do Sul

Luciano Nagel

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

  • Polícia Civil / Divulgação

    Suspeita de participar de venda de bebê é presa no RS

    Suspeita de participar de venda de bebê é presa no RS

Três pessoas foram presas na manhã desta quarta-feira (4) suspeitas de negociar a venda de um bebê por 100 mil reais no Rio Grande do Sul. A polícia suspeita que o grupo tenha tentado comercializar outras três crianças.

De acordo com a Polícia Civil, as prisões ocorreram em Novo Hamburgo, na região do Vale do Sinos e no balneário Pinhal, no litoral norte gaúcho. Entre os detidos estão um casal de intermediários e uma mulher, que desejava vender o filho ainda na gestação.

O UOL não conseguiu localizar os advogados de defesa dos suspeitos até a publicação desta reportagem.

Segundo a delegada Ana Tarouco, da delegacia de Santana do Livramento, as investigações tiveram início em 2015, quando uma mulher, tratada na investigação como vítima, registrou um boletim de ocorrência alegando que recebeu uma proposta para pagar R$ 100 mil para adotar um bebê.

"De acordo com o relato da vítima, ela conheceu a intermediária responsável pela suposta adoção por meio de uma rede social. A mulher (suspeita), afirmou que era assistente social e que conhecia muitas mães, jovens, que não tinham condições financeiras de criar os filhos e os colocavam para adoção. Isto atraiu a vítima, que deseja ser mãe e não pode ter filhos", disse a delegada.

Mas, a vítima procurou orientação de um advogado para saber como acontece um processo de adoção e começou a desconfiar da proposta.

Ela disse ter percebido que sua interlocutora tentava vender a criança e não facilitar uma adoção. A partir disso, a vítima procurou a polícia e passou a colaborar com a investigação. 

O bebê negociado é filho de uma jovem de 19 anos, natural de Santa Catarina mas que reside em Novo Hamburgo. "Ela sabia o que estava acontecendo a participava do esquema", afirmou a delegada 

A quadrilha apresentou à vítima um documento falso da criança: um registro de nascimento atribuindo sua paternidade ao homem que participava do esquema. 

O casal, que não tinha antecedentes criminais, residia em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Eles foram detidos na manhã desta quarta-feira tentando fugir.

A mãe verdadeira do bebê também foi presa. Ela pode perder a guarda do bebê, que nasceu durante a investigação e foi encaminhado ao Conselho Tutelar após a prisão. 

A Polícia Civil se concentra agora em apurar outros três crimes semelhantes supostamente praticados pelo casal de suspeitos. 

"Pela forma com que a intermediária conversava com a vítima, nota-se que a mesma tinha conhecimento do assunto. Inclusive em um dos diálogos ela afirma que tinha um calendário com as datas previstas dos nascimentos dos bebês para adoção", afirmou a delegada Ana Tarouco.

Os suspeitos foram indiciados pelos crimes de estelionato, associação criminosa e também por prometer uma criança a terceiros em troca de dinheiro, crime que consta no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Segundo a delegada, o crime não era somente de estelionato porque o grupo realmente teria a intenção de entregar a criança em troca do dinheiro.

A mulher que tentava adotar uma criança e ajudou a polícia não responderá por nenhum crime.

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