Homicídios de jovens no Nordeste dobram em uma década; Unicef vê cenário "assustador"

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Divulgação/Unicef/Lucas Moreira

    Grafite lembra jovem vítima de chacina em Fortaleza

    Grafite lembra jovem vítima de chacina em Fortaleza

A taxa de homicídios de jovens entre 12 e 18 anos no Nordeste brasileiro apresentou um aumento "assustador" em uma década e lidera o ranking do IHA (Índice de Homicídios na Adolescência), organizado pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), pelo governo brasileiro e por outras entidades. A região Nordeste apresentou 6,5 mortes a cada grupo de mil adolescentes.

"A região Nordeste tem apresentado um panorama assustador de crescimento quase constante do IHA no período de 2005 a 2014. O valor é quase o dobro do observado na segunda região brasileira com maior incidência, o que demonstra a gravidade do fenômeno no Nordeste", diz o estudo. No Brasil todo, a pesquisa aponta um índice geral de 3,65 mortes dentro desse grupo de mil jovens.

O aumento de violência na região seguiu um ritmo intenso e mais que dobrou em um período de dez anos. "O Nordeste apresentou os valores mais altos entre todas as regiões brasileiras do início até o final da série, oscilando entre 2,94 (2005) e 6,50 (2014) adolescentes perdidos", aponta o levantamento.

As maiores altas foram registradas nos anos 2010, 2012 e 2014. "Em consequência, o valor de 2014 foi, de longe, o maior observado desde o início da série em todas as grandes regiões. Assim, podemos verificar que a região Nordeste vem apresentando uma tendência de crescimento da violência contra os adolescentes, apesar da melhoria dos indicadores sociais e de renda", afirma o estudo.

O levantamento traça também uma perspectiva pouco animadora para os próximos anos. "Se as condições encontradas em 2014 se mantiverem constantes, estimamos que, ao longo dos próximos sete anos (2015 a 2021), mais de 16,5 mil vidas de adolescentes entre 12 e 18 anos serão perdidas nesta região", analisa.

Estados mais violentos

Das cinco unidades da federação com índice mais alto, quatro são do Nordeste: Ceará (8,71), Alagoas (8,18), Bahia (7,46) e Rio Grande do Norte (7,40). Somente uma é do Sudeste: Espírito Santo (7,79), que ocupa a terceira posição.

Além dos Estados, os municípios nordestinos também lideram o ranking das cidades com mais de 200 mil habitantes.

Apesar da lista de locais mais violentos ser encabeçada por Serra (ES), a Bahia foi o Estado que apresentou mais cidades entre as 20 com maior risco: Itabuna, Camaçari, Vitória da Conquista, Feira de Santana e Salvador.

Entre as capitais, Fortaleza e Maceió apresentaram os piores índices: 10,94 e 9,37 mortes por grupo de mil, respectivamente. Entre as dez capitais mais violentas para jovens, sete são do Nordeste.

O estudo aponta para uma tendência geral de aumento na maioria das regiões metropolitanas. "Com destaque, as regiões metropolitanas de Grande São Luís, Natal, Fortaleza, Salvador e Maceió registram uma tendência crescente, com alguns raros pontos de declínio."

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