Polícia suspeita que jovem foi assassinada por namorado PM em Teresina (PI)

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Arquivo pessoal

    Camilla Pereira de Abreu

    Camilla Pereira de Abreu

A Polícia Civil de Teresina (PI) afirmou suspeitar que uma jovem de 21 anos tenha sido assassinada pelo próprio namorado, que é policial militar. O corpo dela não foi encontrado, mas autoridades encontraram indícios do crime -- como manchas de sangue no carro dela e relatos de violência prévia praticada pelo policial contra a namorada. 

A estudante de direito Camilla Pereira de Abreu desapareceu no último dia 26, mas foi dada como morta nesta terça-feira (31), após conclusão de investigações da Delegacia de Homicídios de Teresina (PI).

Segundo o coordenador da Delegacia de Homicídios, Francisco Costa Baretta, a polícia tem provas suficientes para declarar que ela foi assassinada e que houve ocultação de cadáver.

De acordo com a polícia, a jovem saiu da faculdade com o namorado e foi para um bar encontrar amigos na noite de quarta-feira (25). Depois, na madrugada da quinta-feira (26), o casal deixou uma amiga da jovem em casa. Desde então, a vítima não foi mais vista.

No dia seguinte, sem conseguir encontrar a jovem, sua família tentou contato com o namorado, que não atendeu nenhuma ligação. Os parentes então procuraram a polícia.

Na última segunda-feira (30), a Delegacia de Homicídios de Teresina assumiu as investigações do caso a mando da Secretaria de Estado da Segurança Pública.

"Há vários indícios que podemos afirmar que ela foi assassinada e o corpo ocultado. Esperamos que o corpo dela seja encontrado e não tenha sido destruído", afirmou o delegado Baretta, que disse que está investigando o crime como homicídio qualificado. Após a conclusão das investigações, a polícia vai analisar os fatores agravantes do crime, inclusive se ocorreu feminicídio, que podem aumentar uma eventual pena.

O secretário da Segurança do Piauí, Fábio Abreu, disse que o principal suspeito é o namorado da vítima, que não teve o nome informado e está em liberdade. Ele é policial militar e entregou a arma que usava no dia do desaparecimento da jovem à corregedoria de Polícia Militar. O UOL tentou contato com ele, mas não conseguiu. A PM disse que só vai se pronunciar sobre o caso quando as investigações da Polícia Civil forem concluídas.

Evidências

"O carro do namorado da jovem foi lavado em um lava-jato e tinha sangue. Uma pessoa do lava jato foi ouvida pela polícia e confirmou que havia sangue no veículo. Infelizmente, todos os indícios apontam a autoria para o namorado de Camilla. Pessoas ouvidas pela polícia relataram que ele era ciumento e violento. Já tinha atirado em uma pessoa que olhou para a jovem em um certo momento que eles tinham saído para se divertir", afirmou Fábio Abreu.

O telefone celular de Camilla foi encontrado em uma lixeira próximo a um restaurante às margens da BR-343, na saída de Teresina para o litoral. Um homem atendeu as chamadas e informou a família onde estava o aparelho. Segundo a polícia, o homem não tem ligação com o crime.

"Esse celular foi deixado na lixeira, às margens da BR-343, para atrapalhar as investigações da polícia. No homicídio há o 'modus operandi' e a assinatura de quem cometeu o crime. O criminoso tenta destruir provas e ao mesmo tempo revela a identidade", afirma Baretta. A polícia fez buscas pelo local, mas não encontrou o corpo e nem indícios de que ele foi enterrado na área em que o celular estava.

Em depoimento, uma amiga de Camilla, que teve o nome preservado, relatou que a jovem vivia uma relação conturbada e sofria violência doméstica. Segundo o depoimento, Camila teria sofrido várias agressões físicas, tinha medo do namorado e se envergonhava de contar à família o seu sofrimento.

"Nós começamos a investigar o desaparecimento dela como se fosse algo comum, mas depois, com os dados coletados, a robustez das provas mostra que foi um assassinato qualificado. Podemos afirmar materialmente que ela está morta, seu corpo foi ocultado e que pode ter ocorrido tentativa de destruição", disse o delegado.

O secretário de Segurança Pública afirmou também que acredita que o corpo da jovem só será encontrado quando o autor do crime for preso e apontar onde deixou o cadáver. Segundo ele, a Polícia Civil está fazendo um trabalho minucioso para encontrar o corpo de Camilla.

O UOL tentou, por diversas vezes, falar com os números dos telefones celulares da família de Camila Abreu, nesta terça-feira, mas ninguém atendeu as chamadas feitas para os cinco números de familiares.

 

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