Violência no Rio

Ação no Rio busca prender grupo de PMs que recebia propina para não reprimir traficantes

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Rommel Pinto/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

    Sede do 12º BPM, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro

    Sede do 12º BPM, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e a Corregedoria da Polícia Militar realizam uma operação integrada, nesta quinta-feira (30), para localizar e prender um grupo de PMs que, de acordo com as investigações, recebia propina para não reprimir o tráfico de drogas em favelas de Niterói, na região metropolitana do Estado.

Há mandados de prisão contra 16 PMs --quatro deles já estavam detidos e à disposição da Justiça. A propina, conhecida popularmente como "arrego", era paga majoritariamente a policiais do 12º PM (Niterói), mas também há militares lotados no 7º BPM (São Gonçalo), 35º BPM (Itaboraí) e no Batalhão de Choque.

Para a ação, batizada "Dark of the City", foi decretada ainda a prisão de 20 suspeitos de tráfico de drogas e de três pessoas apontadas como informantes. Desses, quatro também já se encontravam no sistema prisional em decorrência de outros crimes.

Além da prática de suborno, os policiais investigados também vendiam aos traficantes as armas que eventualmente eram apreendidas em incursões pelas favelas da região. Pelo menos 12 comunidades foram identificadas: Sapê, Badu, Largo da Batalha, Morro da Cocada, Bromélia, Morro do Céu, Barraca Azul, Caju, Ponte Amarela, Mirante, Lajão e Complexo do Caramujo.

Ainda de acordo com os promotores do caso, os PMs recebiam dos três informantes, conhecidos popularmente como "x-9s", informações sobre atividades ilícitas praticadas por outros traficantes, a fim de que pudessem localizá-los e extorqui-los.

"Nhanhão" é o chefe, diz MP

A denúncia aponta que um dos chefes da organização criminosa é Julio Cesar Silva Cardoso, o "Nhanhão", que atuaria na comunidade do Badu, em Niterói. Seria ele o responsável por determinar especificamente quais policiais receberiam o "arrego".

Entre os denunciados também está Pedro Paulo Matheus Gremion, o "Sagaz", que, mesmo preso em Bangu 3, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste carioca, lidera o tráfico de drogas em localidades como Carobinha e Santa Luzia, em Niterói.

A reportagem do UOL não conseguiu identificar e localizar a defesa dos suspeitos.

Em nota, a PM informou que participa da operação por meio da Corregedoria Interna, mas citou apenas traficantes e informantes como alvos. Não houve menção aos policiais investigados.

Busca e apreensão

A Justiça também expediu, a pedido do Ministério Público, 52 mandados de busca e apreensão. As ordens são cumpridas nas residências dos acusados e, no caso dos PMs, em carros particulares, veículos policiais e armários que ocupam nos batalhões.

Os militares vão responder criminalmente pelos crimes de organização criminosa para a prática de tráfico de armas, corrupção passiva, prevaricação e receptação e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Já os suspeitos de tráfico e os informantes foram denunciados por corrupção ativa e organização criminosa para o narcotráfico, armas, roubos e receptação.

Os presos na operação de hoje estão sendo levados para a 4ª DPJM (Delegacia de Polícia Judiciária Militar).

Reprodução/Redes Sociais
Base da PM no morro do Barbante foi metralhada por traficantes

Forças Armadas na Ilha

As polícias Federal e Militar, com apoio das Forças Armadas, fazem uma grande operação nas comunidades Vila Joaniza e Barbante, na Ilha do Governador, na zona norte carioca, desde 5h desta quinta. A ação é uma resposta ao ataque do tráfico de drogas contra o DPO (Destacamento de Policiamento Ostensivo) do morro do Barbante, no último sábado (25). Na ocasião, o local foi metralhado, e a fachada foi pichada com a sigla da facção CV (Comando Vermelho), que controla as bocas de fumo da região.

Participam da operação mais de 1.500 militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. As tropas atuam no cerco às comunidades, para que a Polícia Militar possa fazer incursões pelo terreno em busca de criminosos, armas e drogas. Algumas ruas foram interditadas, e o espaço aéreo está controlado, com restrições dinâmicas para aeronaves civis. Não há interferência nos aeroportos da capital fluminense.

"As Forças Armadas estão responsáveis pelo cerco nas comunidades e baseadas em pontos estratégicos. A operação requer identificação e revista dos moradores, o que causa muitas vezes um desconforto, mas este protocolo é necessário para aumentar a segurança no local", afirmou o porta-voz do CML (Comando Militar do Leste), coronel Roberto Itamar.

A Secretaria Municipal de Educação informou que, por conta da operação na Ilha do Governador, três unidades da rede tiveram suas atividades interrompidas: uma escola, uma creche e um EDI (Espaço de Desenvolvimento Infantil). No total, 660 alunos são prejudicados. (Com Estadão Conteúdo)

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