Violência no Rio

Policial da selfie com Rogério 157 repete gesto com Naldo; corregedoria estuda punições

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL

  • Divulgação

    Policial posa para foto ao lado do traficante Rogério 157, preso nesta quarta-feira

    Policial posa para foto ao lado do traficante Rogério 157, preso nesta quarta-feira

A Corregedoria Interna da Polícia Civil do Rio de Janeiro (Coinpol) estuda punir os policiais que tiraram fotos com o traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, após sua prisão na última quarta-feira (6). Pelas selfies, os agentes podem receber suspensões, que chegam a até 90 dias.

O cantor Naldo Benny também foi alvo de selfie na mesma quarta-feira, após ser detido acusado de agredir sua mulher e por porte ilegal de arma. A policial Mirian dos Santos aparece sorrindo, ao lado do traficante e do artista em momentos diferentes.

Após a prisão de Rogério 157, um dos traficantes mais procurados do Rio de Janeiro, fotos dos policiais que realizaram a operação começaram a circular nas redes sociais. Em uma das imagens ao lado do bandido participa até o delegado responsável Gabriel Ferrando.

Reprodução/Facebook
Policial Mirian dos Santos fez sefie com Naldo após o músico pagar fiança

De acordo com a Corregedoria, alguns policias já foram ouvidos na tarde da última quarta e mais audiências estão marcadas para esta quinta-feira (7).

Os agentes que aparecem nas fotos podem se enquadrados em dois tipos de punição: exibir-se em local público ou manter relações com pessoas de má reputação (pena de um a 15 dias de suspensão) ou desrespeitar os direitos ou garantias individuais dos presos (de 41 a 90 dias).

Além da polêmica sobre as selfies com Rogério 157, uma nova imagem será alvo de investigação. O cantor Naldo Benny, preso por porte ilegal de arma e acusado de agredir sua mulher, Ellen Cardoso, a Mulher Moranguinho, também foi alvo de pedidos de foto. A policial Mirian dos Santos fez a clique após o músico pagar fiança, de valor não divulgado, e ser liberado na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam). A foto também vazou nas redes sociais.

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Mirian já havia prestado depoimento no mesmo dia por ter participado das fotos com Rogério 157. A policial deverá retornar à  Corregedoria nesta quinta para prestar depoimento sobre a selfie com Naldo.

Segundo depoimentos prestados à Coinpol, as fotos foram originalmente enviadas a um grupo fechado do WhatsApp. As imagens vazaram e, rapidamente, ganharam as redes sociais.

Em entrevista à "TV Globo" na manhã desta quinta (7), Ferrando afirmou que já tomou providências quanto a sua participação e a de seus policiais nas fotos com Rogério 157. "Eu mesmo já me adiantei e pedi uma audiência com o Corregedor Geral para realmente explicar todos os detalhes da operação", declarou o delegado. De acordo com o agente, tudo se deve a uma "explosão de adrenalina".

"É muito tempo, muita dedicação. Imagina quantas vezes nós tentamos prender esse criminoso, sem sucesso", justificou Ferrando. "Mas acredito que nada disso irá ofuscar uma belíssima atuação policial como esta.".

Rogério 157 não ofereceu resistência

Rogério 157 é apontado como chefe do tráfico de drogas na favela da Rocinha, na zona sul, e era considerado um dos criminosos mais procurados do Estado. A captura dele ocorreu durante operação integrada realizada na manhã de quarta-feira (6) pelas polícias civil, militar e federal, com apoio das Forças Armadas.

Rogério 157 não ofereceu resistência ao receber voz de prisão. Ele estava escondido na favela do Arará, que possui uma base da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) e fica nos fundos da Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, onde estão presos os réus da Operação Lava Jato no RJ --incluindo o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).

Somente neste ano, de acordo com o Disque-Denúncia, as autoridades fluminenses já haviam recebido 434 ligações anônimas com informações a respeito do criminoso. A recompensa pela captura do chefe do tráfico na Rocinha havia sido fixada em R$ 50 mil.

Logo após a prisão de 157, moradores da comunidade da zona sul relataram em redes sociais e grupos de WhatsApp que houve uma intensa troca de tiros na região. A Polícia Militar não confirmou nem forneceu detalhes do suposto confronto.

O suspeito era um dos mais procurados pelas polícias do Rio desde que protagonizou uma sangrenta disputa entre bandos rivais na Rocinha, em 17 de setembro --na ocasião, o antecessor de 157, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, ordenou que criminosos leais tentassem invadir a comunidade para derrubá-lo e, consequentemente, retomar o controle das bocas de fumo.

A briga resultou em uma semana de tiroteios ininterruptos e levou o Estado a realizar uma grande ação militar na região, com tanques de guerra e outros recursos, em 22 de setembro.

O racha com Nem, um dos principais líderes da ADA (Amigos dos Amigos), acabou isolando Rogério 157 na estrutura da facção criminosa. Com isso, após fugir da Rocinha durante as operações da PM para reprimir o tráfico no local, ele acabou migrando para o principal grupo rival, o CV (Comando Vermelho).

Contra Rogério 157 há ao menos 13 mandados de prisão em aberto, por crimes como homicídio, assalto a mão armada e tráfico de drogas.

Confira os detalhes da captura de Rogério 157

 

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