RN teve mais de 6 mortes violentas por dia em 2017, segundo observatório

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • Beto Macário/UOL

    Exército faz patrulha nas ruas do bairro de Ponta Negra, em Natal

    Exército faz patrulha nas ruas do bairro de Ponta Negra, em Natal

O Rio Grande do Norte registrou 2.405 mortes violentas em 2017, o que representa uma média de 6,6 mortes por dia. O número é de um levantamento do Obvio (Observatório da Violência Letal Intencional no Rio Grande do Norte), da Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-Árido), divulgado nesta segunda-feira (1º). 

O Estado passa por uma grave crise de segurança pública devido a uma greve de policiais, e as Forças Armadas estão fazendo o patrulhamento nas ruas. O governo potiguar não quis comentar os números do observatório e informou que divulgará dados oficiais ainda esta semana. 

Segundo a série histórica divulgada pelo Obvio, iniciada em 2014, a quantidade de mortes violentas no Rio Grande do Norte em 2017 é recorde no período e representa um aumento de 20,5% frente ao total de 2016 (1.995 mortes). Em 2015, a entidade registrou 1.670 mortes violentas; no ano anterior, foram 1.772.

O observatório contabiliza homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e outras condutas dolosas que resultem em morte. Os números têm como fontes o Sisobi (Sistema de Controle de Óbitos), usado por cartórios, e o Datasus, do Ministério da Saúde, entre outras.

Os números do Obvio estão em linha com a tendência de alta de mortes violentas no Estado registradas em outros estudos. Os números mais recentes do próprio governo potiguar já apontavam para 2.027 crimes violentos letais intencionais --a nomenclatura usada nos dados oficiais-- entre janeiro e outubro de 2017.

Só este total de janeiro a outubro de 2017 já superava a soma das mortes violentas no Estado no ano anterior (1.979), segundo números do governo.

Crise começou nas prisões

Segundo o coordenador do levantamento, Ivenio Hermes, a alta na quantidade de mortes violentas no Rio Grande de Norte se deve, entre outros motivos, à falta de conhecimento e controle do governo estadual sobre o sistema prisional.

"Não houve um mapeamento adequado dos criminosos dentro do sistema prisional. O governo não sabe quem é quem, quem pertence a tal facção", disse. "O boom de violência sai de dentro dos presídios para fora."

Hermes também considera que o Estado não buscou políticas sociais para geração de emprego e renda, investindo apenas em reforço policial. O coordenador do Obvio lembrou que esta é a terceira vez em 18 meses que as Forças Armadas são convocadas para garantir a segurança no Rio Grande do Norte.

De acordo com o Atlas da Violência, o número de mortes violentas no Rio Grande do Norte mais que dobrou em uma década. Saiu de 896 em 2005 para 1.870 em 2015, segundo o estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do governo federal) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados do SIM (Sistema de Informações de Mortalidade), do Ministério da Saúde.

Naquele ano, o Estado tinha uma taxa de 44,9 homicídios por 100 mil habitantes, a sexta mais alta do Brasil e acima da média nacional, de 28,9.

Beto Macário/UOL
Fuzileiros navais fazem o patrulhamento no bairro Ponta Negra, em Natal

Crise na segurança

O Rio Grande do Norte vem enfrentando uma crise de segurança pública depois de policiais militares, civis e bombeiros iniciarem operação padrão, em que só são atendidos chamados de flagrantes e com a equipe completa. Os policiais estão com os salários e o 13º salário atrasados. 

Até a última sexta, o Estado pagou o salário de novembro dos servidores que recebem até R$ 4.000. O pagamento contemplou cerca de 80% de servidores da segurança pública, mas os líderes do movimento afirmaram que só voltarão à normalidade das atividades quando todos os servidores receberem seus salários.

 

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