Um dia após a rebelião em presídio, dois agentes penitenciários são mortos a tiros em Goiás

Bernardo Barbosa e Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

Dois agentes penitenciários da cidade de Anápolis foram assassinados a tiros nesta terça-feira (2), um dia depois de uma rebelião que deixou nove mortos em um presídio localizado na região metropolitana da capital de Goiás

O assassinato mais recente foi o de Ednaldo Monteiro, ex-supervisor de segurança do presídio de Anápolis (município que fica a 60 quilômetros de Goiânia). Ele foi morto no final da tarde, segundo a Polícia Civil de Goiás. Em 21 de novembro passado, Monteiro chegou a ser preso em uma operação do MP-GO (Ministério Público de Goiás) sob acusação de participar de um esquema que cobrava propinas de detentos do presídio da cidade.

Reprodução
Agente penitenciário Ednaldo Monteiro foi morto a tiros em Anápolis (GO)
Pela manhã, o vigilante penitenciário Eduardo dos Santos foi assassinado no bairro Boa Vista, também em Anápolis, ao sair de seu plantão no presídio da cidade.

Monteiro foi baleado dentro de seu Honda Civic em frente ao estacionamento da floricultura de sua família, localizada em frente do cemitério São Miguel, no bairro Setor Central, onde o corpo de Eduardo, o primeiro agente a ser morto, será enterrado.

Vídeo de câmera de segurança, obtido pelo jornal "O Popular", mostra o momento do assassinato do agente penitenciário. Às 17h23, ele deixa o estabelecimento e entra em seu carro. Logo depois, um Fiat Palio se aproxima rapidamente e estaciona atrás do Honda Civic. Três homens deixam o Palio e atiram várias vezes. A ação durou apenas 15 segundos.

De acordo com o Sinsep-GO (Sindicato dos Servidores do Sistema de Execução Penal de Goiás), os assassinatos são uma retaliação a uma revista ocorrida na segunda-feira (1°) no presídio de Anápolis.

"Isso é uma retaliação porque os agentes penitenciários estão cortando as regalias dos presos", afirma o presidente do Sinsep, Maxsuell Miranda das Neves. Ainda não há informações oficiais que relacionem os dois homicídios à rebelião ocorrida em um presídio da região metropolitana de Goiânia.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o sindicalista pediu "serenidade" aos membros da categoria. Em protesto contra a morte dos dois colegas, agentes penitenciários divulgaram vídeos em que estão armados e com as sirenes ligadas dos carros oficiais dos presídios em que trabalham.

Divulgação/Sinsep-GO
Carro do agente penitenciário Ednaldo Monteiro, de Anápolis (GO), com marcas de tiros
Segundo comunicado da SSPAP (Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP), a Polícia Civil instaurou inquérito policial para apuração dos fatos. "A SSPAP espera dar uma rápida resposta, como tem sido nos casos de homicídios praticados em Goiás, e que os culpados sejam punidos pelos seus atos na forma da lei", diz a nota.

Em novembro, vítima foi presa em operação do MP

Em 21 de novembro passado, o então chefe de segurança do presídio de Anápolis, Ednaldo Monteiro, e o diretor da unidade prisional, Fábio Oliveira, foram presos com mais nove pessoas em uma operação capitaneada pelo MP-GO.

Os promotores responsáveis pela investigação descobriram uma esquema de corrupção dentro da unidade prisional, onde os detentos pagavam propinas a funcionários do sistema penitenciário para ter acesso a regalias como celular, cerveja, pizza e até saídas da prisão.

Carros oficiais da agência prisional goiana eram usados para levar presos até agências bancárias de Anápolis, onde saques eram efetuados para o pagamento de propinas. Os saques eram feitos duas vezes por semana.

Rebelião em Aparecida de Goiânia

Pelo menos 99 presos ainda estavam foragidos na tarde desta terça-feira (2) após a rebelião que deixou nove detentos mortos na segunda-feira (1º) em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana de Goiânia. O número foi informado pela Seap-GO (Superintendência de Administração Penitenciária de Goiás).

Segundo o órgão, outros 143 detentos foram recapturados após a rebelião, ocorrida na Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Com isso, entre foragidos e recapturados, o total de presos que fugiram durante a rebelião chega a 242, uma cifra bem maior do que a informada pelo governo goiano nas primeiras horas após a rebelião. 

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