Mesmo com Exército nas ruas, metade das ocorrências policiais no RN fica sem resposta

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Natal

  • Beto Macário/UOL

    2.jan.2018 - Militares fazem patrulhamento no bairro de Ponta Negra, na capital do RN

    2.jan.2018 - Militares fazem patrulhamento no bairro de Ponta Negra, na capital do RN

A presença dos 2.800 homens da Força Nacional de Segurança Pública e das Forças Armadas no Rio Grande do Norte ainda não conseguiu atender integralmente as ocorrências policiais no Estado, que vive uma crise de segurança. Segundo informou o comandante da Força-Tarefa "Guararapes", general Ridauto Lúcio Fernandes, nesta quinta-feira (4), as forças de segurança atendem atualmente 50% dos pedidos de socorro da população, por meio do 190 --o número se refere à quarta-feira (3).

"Quando chegamos aqui [dia 29/12], o índice de atendimento era de 4% do total de pedidos feitos pelo 190. Já chegamos a 50%, mas ainda não é satisfatório, estamos trabalhando para melhorar isso. É o nosso principal alvo", explicou o general.

Para melhor o índice, ele falou que está sendo aperfeiçoada a integração dos sistemas de monitoramento das viaturas policiais e das Forças Armadas, o que deve melhorar a dinâmica. "Isso não pode ser feito de imediato, leva um tempo, mas está sendo feito", disse.

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O general, que está no comando das forças de segurança no RN, ressalvou, contudo, que os índices de criminalidade caíram desde 30 de dezembro, um dia após a chegada das tropas no Estado. "O número de roubos caiu 41% e o de mortes violentas, 30%. São dados significativos. Só a chegada das Forças Armadas faz um impacto. A marginalidade sabe bem com que está lidando", disse.

O general afirmou que está com as tropas nas ruas com operações de barreira e atendimento a ocorrências. "Estamos fazendo o trabalho deixado pelos policiais. Para isso, selecionamos militares treinados, em especial os que atuaram no Haiti e têm experiência com esse contato com áreas de conflito, tráfico de drogas", explicou.

Ridauto disse acreditar que os militares podem concluir o trabalho no dia 12, conforme previsto no decreto presidencial, e deixar o RN já na próxima semana.

"Nossa ideia é deixar a cidade em condições de que esses números não voltem a explodir quando sairmos. Mas acredito que o prazo será suficiente, não foi sinalizado nada até o momento de necessidade. Até porque uma operação dessas custa uma fortuna", afirmou, sem apresentar números dos gastos.

Beto Macário/UOL
4.jan.2018 - Militar sobrevoa a capital do Rio Grande do Norte

O problema

Sem condições plenas de segurança, policiais militares e civis promovem um movimento de não ir às ruas. A chamada operação "Segurança com segurança" começou no dia 19 de dezembro e levou ao aumento de crimes em todo o Estado.

Os policiais criticam os atrasos de salários e dizem que não podem realizar os serviços com as más condições estruturais.

O governo do Estado afirma que está realizando melhorias nos veículos para que eles possam, gradativamente, voltar a atuar. Nesta quarta-feira, por exemplo, a grande Natal contava com apenas 57 viaturas nas ruas.

Na tarde de ontem, bombeiros e policiais militares decidiram se manter aquartelados. Um documento com 14 itens foi aprovado pela categoria para ser entregue nesta quinta ao governo do Estado. Entre os itens pedidos, estão o pagamento dos salários de novembro (para os que ganham acima de R$ 4.000), dezembro e 13º; a recuperação de prédios em mau estado de conservação, manutenção de viaturas, entrega de fardamentos e quitação de débitos retroativos por promoções.

O governo informou que vai quitar o complemento da folha de novembro no sábado (6). Não há previsão para pagamento de dezembro e do 13º salário.

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