Chuva provoca mortes, deixa moradores ilhados em Florianópolis e 500 desabrigados em SC

Aline Torres

Colaboração para o UOL, em Florianópolis (SC)

Em plena alta temporada, o litoral catarinense vem sendo duramente afetado por uma chuva muito acima do esperado. Há registro de estragos em 19 cidades. A Capital catarinense é a mais atingida. Após ressaca que durou meses, Florianópolis sofre novo revés climático. De terça-feira até esta quinta-feira (11), choveu 400 mm. De acordo com a Defesa Civil, a precipitação é quase três vezes a média do mês de janeiro, quando chove entre 150 mm e 170 mm.

Segundo o meteorologista do Climaterra Ronaldo Coutinho, o alagamento é o pior dos últimos 23 anos. Em todo o Estado de Santa Catarina, 500 pessoas estão desabrigadas.

O prefeito Gean Loureiro (PMDB) decretou situação de emergência e precisará de recursos do Governo Federal para reconstrução da cidade. O governador Raimundo Colombo (PSD) sobrevoou à tarde as áreas alagadas e autorizou a liberação de R$ 3 milhões para auxiliar na recuperação da capital. Pelos cálculos de Loureiro, os prejuízos devem ser superiores a R$ 20 milhões.

Mais de 200 ruas foram atingidas pelas chuvas, segundo levantamento preliminar da Prefeitura. As autoridades orientam os moradores a não saírem de casa. A ressalva foi ampliada após confirmação da primeira morte. Valcioni Luiz da Silva, 59 anos, foi arrastado pela enxurrada no bairro Itacorubi, bateu com a cabeça no chão e não resistiu aos ferimentos.

No seu bairro, o rio transbordou. A água tomou as ruas com tanta fúria que invadiu as garagens dos prédios deixando os carros submersos. Muitas residências também foram atingidas.

Um morador do Morro do Quilombo, no Maciço da Cruz, está desaparecido e pode vir a ser outra vítima do temporal.

Moradores ilhados

A chuva intensa e os alagamentos deixaram os moradores e turistas de Florianópolis ilhados. 

Samanta Ramos, 24, teve a casa inundada. A água suja molhou os móveis e eletrodomésticos. Ela, a mãe e a irmã passaram o dia limpando a lama dentro de casa.

"Eu tenho uma bebê de dois meses. Fiquei em pânico. Não podíamos sair para rua para buscar ajuda e nossa casa foi invadida pela chuvarada", disse.

Letícias Reis, 29, moradora de Ingleses, também não pode sair de casa. A auxiliar de dentista conta que o volume de água na calçada ultrapassou os 30 cm.

Os ônibus estão operando com capacidade limitada. Apenas 40% da frota saiu das garagens. 

As três principais rodovias da Ilha, que são os acessos para Norte, Sul e Leste, estão com pontos de interdição por desmoronamento, alagamentos ou por crateras abertas no asfalto.

Na SC-401, acesso às praias do Norte, como Jurerê Internacional, Canasvieiras e Ingleses, a pista cedeu e abriu uma cratera no asfalto. A ponte na Estrada Antônio Damasco, em Ratones, também no Norte da Ilha, caiu. Os moradores não conseguem sair ou entrar no bairro.

Na Lagoa da Conceição, um dos principais cartões-postais da Ilha, a rodovia está cedendo, próximo à Alameda Casa Rosa. A SC 405, no Sul da Ilha, está interditada. O caminho alternativo é a Base Aérea, que ficará liberada somente até as 19h. Na SC-406, entre a Barra da Lagoa e a Praia Mole, retroescavadeiras estão mobilizados para limpar a pista, coberta de lama.

A Defesa Civil ainda não sabe o número exato de desabrigados. A Escola Donícia Maria da Costa, no bairro Saco Grande, e a Passarela Nego Quirido, no Centro, recebem improvisadamente os moradores que tiveram suas casas inundadas.

Outras cidades

Os outros municípios de Santa Catarina afetados são Imbituba, Braço do Norte, São José, São João Batista, Biguaçu, Lauro Muller, Penha, Balneário Camboriú, Porto Belo, Itapema, Itajaí, Bombinhas, Navegantes, Taió, Governador Celso Ramos, Camboriú, Tijucas e São Francisco do Sul.

Na Grande Florianópolis, em São João Batista, Gabriela Hayana Amorim Lopes, 8, morreu na quarta (10) à tarde, após uma árvore cair em cima da garagem da sua casa, onde brincava com a irmã. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a árvore não resistiu ao excesso de chuvas. A irmã de Gabriele foi socorrida e passa bem.

Em Balneário Camboriú, o haitiano Marcellus Vlademy, 36 anos, foi levado pelas águas após tentar desobstruir uma boca de lobo na chácara onde trabalha, próximo a divisa com o município de Itajaí. A suspeita é que ele tenha escorregado na margem e, depois, tenha sido arrastado pela correnteza. A equipe do Corpo de Bombeiros faz buscas na região.

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