Chuvas

Chuvas em SC tiram quase 1.900 pessoas de suas casas, diz Defesa Civil

Aline Torres

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

  • DIORGENES PANDINI/Agência RBS/ESTADÃO CONTEÚDO

Subiu para 1.865 o número de pessoas que tiveram de deixar suas casas por causa das fortes chuvas que atingiram Santa Catarina nesta semana. Os temporais mataram três pessoas e provocaram danos em 21 municípios, sendo que a capital Florianópolis foi a mais afetada. Ao menos uma pessoa está desaparecida no Estado.

Em 48 horas, choveu 400 mm, precipitação maior do que a média de chuvas para os meses de janeiro e fevereiro.

Na manhã desta sexta-feira (12), a Defesa Civil divulgou que há 1.230 desalojados (que estão em casas de amigos ou parentes) e 155 desabrigados (que não têm para onde ir) apenas em Florianópolis. Ao menos 30 residências estão interditadas por risco de desmoronamento.

Apesar de a chuva ter começado na segunda-feira (8), a Defesa Civil de Florianópolis só divulgou os dados nesta sexta-feira (12). No restante do Estado, 480 pessoas estão desalojadas.

Enxurrada de água em praia de SC foi causada por transbordamento de lagoa

Para os moradores que perderam suas casas, há dois refúgios improvisados: a Escola Donícia Maria da Costa, no bairro Saco Grande, e a Passarela Nego Quirido (a passarela de samba da cidade). Cinco postos de coleta recebem doações.

O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (PMDB), se reuniu nesta sexta-feira (12) com o secretário Nacional de Defesa Civil, Renato Newton Ramlow, para apresentar o relatório dos danos.

Por meio do decreto de emergência, ele irá solicitar recursos do governo federal. O governador Raimundo Colombo (PSD) se comprometeu a liberar R$ 3 milhões para reconstrução da cidade, mas, de acordo com levantamento da prefeitura, serão necessários mais de R$ 20 milhões.

Conforme o último boletim da Defesa Civil, há quatro pontes destruídas, danos em diversas vias públicas e nas três principais rodovias, SC-401, 405 e 406, que acessam o norte, o sul e o leste da ilha.

O secretário do Estado da Defesa Civil, Rodrigo Moratelli, disse que o órgão "articulou uma força-tarefa entre os poderes municipal, estadual, o Corpo de Bombeiros, as forças da Segurança Pública e a Assistência Social para que a cidade recupere sua rotina o mais rápido possível".

"Temos preparo. Não deixaremos essa crise se transformar em um desastre", disse Moratelli.

"Esse é o momento de juntar esforços. Todos os setores da prefeitura estão trabalhando para desobstruir as vias e oferecer segurança para os moradores e turistas da cidade", reiterou Loureiro em entrevista coletiva à imprensa.

Outros 20 municípios registraram ocorrências: São Lauro Muller, Imbituba, Braço do Norte, São José, São João Batista, Biguaçu, São Francisco do Sul, Penha, Itapema, Balneário Camboriú, Itajaí, Bombinhas, Navegantes, Taió, Camboriú, Porto Belo, Governador Celso Ramos, Tijucas, Palhoça e Canoinhas.

Vizinhos ajudam protetora a salvar 14 cães e gatos

A assessora parlamentar Mariana Garcia, 28, perdeu toda mobília e os eletrodomésticos de sua casa. Mas não se queixa: conseguiu salvar seus 11 cães e três gatos. Um resgate possível graças à colaboração de seus vizinhos.

Mariana mora há 15 anos no bairro Rio Tavares, no sul da ilha, um dos mais destruídos pelo temporal que atingiu Florianópolis.

"Era quinta-feira, duas da madrugada, a chuva estava cada vez mais forte. Apavorada dentro de casa, ouvi um estrondo. Meu muro estourou pela pressão da água, foi como uma explosão. Rapidamente a enxurrada veio carregando tudo. E eu não poderia fugir e deixar os meus animais", contou.

Mariana tem 1,61 m de altura e estava com água acima do peito. Seus vizinhos entraram no terreno, resistiram à força da correnteza e ajudaram a carregar os animais para um das poucas casas em que o muro permaneceu intacto, apesar do alagamento do terreno.

Arquivo Pessoal
A assessora parlamentar Mariana Garcia, 28, conseguiu salvar seus 11 cães e três gatos de enxurrada.

Na manhã seguinte, os mesmos vizinhos se distribuíram para cuidar dos bichos de Mariana, que atua voluntariamente como protetora dos animais. 

Apesar do desespero, todos foram salvos. Para surpresa dela, a corrente de solidariedade agrupou pessoas além da sua vizinhança.

Pelo grupo criado no WhatsApp "Alerta em Floripa", muita gente soube da história de Mariana e foram ajudar. Nesta sexta, cerca de 20 pessoas chegaram com baldes e produtos de limpeza para ajudar no mutirão de retirada de entulhos e lama.

A previsão da protetora é voltar para casa na próxima semana ao lado dos seus bichinhos.

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