Topo

Após tiroteios, polícia acha "área de lazer" do tráfico e prende suposto fornecedor de armas na Maré

Moradores denunciam truculência policial em operação na Maré, no Rio

UOL Notícias

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

2018-02-22T18:50:20

22/02/2018 18h50

A Polícia Civil do Rio de Janeiro afirmou ter encontrado na tarde desta quinta-feira (22) uma “área de lazer do tráfico”, conhecida como “Piscina Nova”, durante operação no Complexo da Maré, conjunto de favelas na zona norte carioca. No local, segundo a polícia, foram encontrados 50 kg de maconha e 780 sacolés de cocaína.

Segundo a polícia, a operação foi realizada na Vila do João e Vila dos Pinheiros, comunidades que integram o conjunto de favelas da Maré, para que fossem cumpridos mandados de prisão. Durante a ação, moradores denunciaram a ocorrência de confrontos entre policiais e traficantes durante horário escolar

Questionada pelo UOL, a assessoria de comunicação da Polícia Civil disse apenas que os agentes enfrentaram “intensa resistência armada dos traficantes locais”, mas não se pronunciou sobre o porquê de a operação ter sido realizada em tal horário.

Na suposta área de lazer de traficantes, foram apreendidos espelhos de documentos de veículos (documentos em branco usados para fraude), de carteiras de identidade e de habilitação, além de dezenas de placas de veículos com numeração. A suspeita da polícia é de que o espaço funcionaria também como um laboratório para clonagem de veículos.

Já em outro ponto da Maré, os agentes capturaram um homem suspeito de fornecer armas e munições para traficantes. Segundo a polícia, o rapaz de 22 anos seria também receptador de cargas roubadas de aparelhos de telefone celular. Com ele, teria sido apreendido um iPhone X roubado. O suspeito responderá por associação para o tráfico, organização criminosa e receptação.

A página do Facebook Maré Vive publicou um vídeo (veja abaixo) denunciando suposta truculência policial na operação desta quinta. No vídeo, moradores mostram os arredores de uma piscina, que teriam sido destruídos por policiais. A polícia afirmou desconhecer a denúncia.

A operação na Maré acontece em momento em que o Rio de Janeiro está sob intervenção federal, com a responsabilidade pelo comando das polícias e administração penitenciária nas mãos das Forças Armadas. A ação na Maré não contou, contudo, com a participação de homens do Exército.

A operação desta quinta-feira foi organizada pelo DGPE (Departamento Geral de Polícia Especializada) com policiais da DCOD (Delegacia de Combate às Drogas), DRFA (Divisão de Roubos e Furtos de Automóveis), DRFC (Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas), DRF (Delegacia de Roubos e Furtos), CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais), SAER (Serviço Aéreo Policial).