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Mulheres do MST invadem parque gráfico do jornal O Globo no Rio

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

2018-03-08T10:12:56

2018-03-08T15:00:11

08/03/2018 10h12Atualizada em 08/03/2018 15h00

Um grupo de mulheres do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) e de outros movimentos sociais invadiu o parque gráfico do jornal “O Globo”, em Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio, no início da manhã desta quinta-feira (8).

Em nota, o jornal afirmou que 400 pessoas participaram da invasão. O MST, entretanto, diz que 800 mulheres estiveram presentes. De acordo com a Polícia Militar, a ação durou cerca de meia hora. As manifestantes já desocuparam o local. Não houve registros de feridos.

“Entre os manifestantes, que chegaram em dez ônibus, havia pessoas armadas com facões. O grupo parou no estacionamento para visitantes, de acesso livre, e invadiu o prédio. Os seguranças da empresa não impediram a invasão, devido à quantidade de pessoas”, diz o comunicado de O Globo.

No texto, o jornal diz ainda que “manifestantes fizeram pichações de mensagens políticas em vidraças, sofás, paredes e no piso. Também atearam fogo em pneus ao redor de um totem com o nome do jornal, que é de metal e não chegou a ser danificado”.

Participaram da ação o MST, o Levante Popular da Juventude, o Movimento dos Atingidos por Barragens e o Movimento dos Pequenos Agricultores, além de moradoras de comunidades da cidade.

A invasão faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, que também ocupou uma fábrica da Riachuelo no Rio Grande do Norte e a superintendência regional do Incra (Instituto de Reforma Agrária) em Brasília. 

Em Porto Alegre, mulheres sem-terra marcharam pelas ruas até a sede do TRF-4 (ribunal Regional Federal da 4ª Região), que julga, entre seus processos, apelações da Operação Lava Jato, incluindo as do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As mulheres protestaram contra a "seletividade da Justiça", contra o machismo, o racismo e contra a reforma trabalhista que entrou em vigor em novembro do ano passado. "Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem", dizia uma das faixas.

Em nota, o MST afirmou que o objetivo da ação, iniciada às 5h30 da manhã, é “denunciar a atuação decisiva da empresa sobre a instabilidade política brasileira” e cita a “articulação da Globo no processo do golpe” e a “perseguição ao presidente Lula, para inviabilizá-lo como candidato em uma eleição democrática”.

Também em nota, a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) repudiaram a invasão e disseram que “atos criminosos são próprios de grupos extremistas, incapazes de conviver em ambiente democrático”.

“É inadmissível que um grupo, que se diz defensor de causas sociais, ameace e ataque profissionais e meios de comunicação que cumprem a missão de informar a sociedade sobre assuntos de interesse público”, disseram as instituições em nota conjunta.

A OAB também repudiou o ato e afirmou que o “direito à liberdade de manifestação não comporta violência contra as pessoas nem contra propriedades”.

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