O que querem e como pensam as lideranças indígenas de ontem, hoje e amanhã

Marina Amaral e Sofia Amaral

Da Agência Pública

  • Arte UOL

    A partir da esq., o cacique Raoni, Davi Kopenawa e Sonia Guajajara

    A partir da esq., o cacique Raoni, Davi Kopenawa e Sonia Guajajara

O mais famoso deles talvez seja Raoni, o líder caiapó com seu impressionante adorno no lábio inferior --o labret-- sinal de compromisso do guerreiro com a terra em que nasceu.

Discursando em sua língua nativa, apesar do português aprendido com os irmãos Villas Boas, há 40 anos empreende uma cruzada pelos direitos, não apenas de seu povo, mas de todos os parentes --maneira como os indígenas se referem aos que pertencem a outras etnias.

Desde 1989, quando deixou o Brasil pela primeira vez para uma turnê em 17 países com o apoio de Sting, o vocalista do grupo Police, não parou de correr o mundo em defesa da floresta amazônica, do Xingu, dos indígenas brasileiros.

"Eu quero que deixar um recado para todos vocês que são brancos, e eu quero que vocês ouçam minha palavra. Eu não aceito barragem nos rios que moramos, e não aceito extração de minérios em nossas terras", diz o ancião (ele tem por volta de 85 anos) no depoimento gravado para a Pública e traduzido por seu neto e herdeiro, Beptuk, pouco antes de embarcar para última Convenção sobre a Mudança do Clima da ONU (Organização das Nações Unidas), na Alemanha.

Raoni: "Se continuarem a derrubar matas, virá muita coisa ruim"

Igualmente conhecido internacionalmente é o xamã Davi Kopenawa, o líder dos ianomâmis, um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil, com uma população de 25 mil pessoas que vive no Brasil (entre Roraima e Amazonas) e mais 15 mil na Venezuela.

Nessa entrevista para a Pública, ele relembra as ameaças sofridas pelo povo, entre elas a invasão de 40 mil garimpeiros em 1986, autorizada pelo então presidente da Funai, Romero Jucá (MDB-RR), ao seu território.

Foi também através de uma cruzada internacional, em companhia de outras lideranças como o próprio Raoni, que os ianomâmis conseguiram finalmente demarcar sua terra e deter o genocídio de seu povo.

"Agora tá pior, muito pior pra nós, presidente Temer, ele não é honesto", diz na entrevista gravada em Brasília, depois de uma palestra para estudantes indígenas da UnB (Universidade de Brasília).

Líder ianomâmi diz que situação está pior e Temer "não é honesto"

A esperança está na resistência, concordam os líderes, que veem com entusiasmo o despontar de uma nova líder, pela primeira vez uma mulher, que une contemporaneidade à defesa da cultura tradicional.

"Hoje o índio não está só no mato, hoje nós ocupamos todos os espaços da sociedade", resume em entrevista Sônia Guajajara, pré-candidata à vice-presidência da República pelo PSOL.

"O índio não está só no mato", diz pré-candidata à vice-presidência

* Este material faz parte do especial "Amazônia Resiste", da Agência Pública.

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