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Soldado que beijou homem no metrô de SP recebe solidariedade de policiais LGBT

A hashtag "#somostodosPrior", em apoio ao soldado Leandro Prior, no Instagram - Reprodução
A hashtag "#somostodosPrior", em apoio ao soldado Leandro Prior, no Instagram Imagem: Reprodução

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

13/07/2018 14h33Atualizada em 13/07/2018 16h47

Se por um lado gerou uma série de ameaças e de mensagens de conteúdo homofóbico, por outro, a cena em que um policial militar fardado beijando outro homem no metrô de São Paulo despertou também uma onda de solidariedade nas redes sociais por parte de outros militares homossexuais.

O caso do soldado Leandro Prior gerou forte repercussão depois de o policial, fardado e já voltando para casa, ter sido gravado, sem seu conhecimento, dando um selinho de despedida em um amigo. O vídeo foi parar em grupos de WhatsApp de PMs, e Prior passou a ser ameaçado de morte e a ser pressionado a pedir exoneração –ele completa quatro anos na instituição em novembro.

O soldado da Polícia Militar de São Paulo, Leandro Barcellos Prior - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
O 'selinho' do soldado em um amigo, no metrô, despertou a fúria de outros policiais
Imagem: Reprodução/Facebook

Nas redes sociais, profissionais ligados à segurança pública, entre os quais bombeiros militares, policiais federais, civis e militares, além de agentes penitenciários e guardas civis, começaram a compartilhar a hashtag “#somostodosPrior” com fotos alusivas à bandeira colorida do movimento LGBT e mensagens de orgulho pela própria orientação sexual. Prior escreveu agradecendo a vários dos autores.

A campanha foi organizada pela Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBT (Renosp LGBT), entidade fundada em 2010 e que congrega cerca de 60 mil profissionais de segurança pública assumidamente gays, lésbicas e transexuais em todo o país. A dispersão do termo é feita no Instagram, no Facebook e no Twitter.

"Ele não está sozinho", diz PM ativista

Segundo o coordenador nacional da rede, o subtenente da PM do Distrito Federal Itamar Matos de Souza, 40, o grupo viu necessidade de apoio ao soldado paulista –que é associado -- a fim de que soubesse que “ele não está sozinho”.

“Normalmente, as polícias não gostam de associar a farda à orientação diversa da heterossexual, por isso pedimos aos profissionais de segurança que aderissem à campanha também fardados –não só por uma forma de protesto, mas para mostrarmos que não somos poucos e somos de todas as corporações, de todas as forças”, disse Souza, que se define gay. “E é um apoio ao Prior que busca dizer a ele: ‘você não está sozinho’”.

Na avaliação do oficial, ações como a campanha de solidariedade ao soldado buscam também “acolher e incentivar” outros profissionais de segurança pública a se assumirem.

“Queremos que essas pessoas entendam que elas não são invisíveis e que as barreiras podem, sim, ser vencidas”, afirma. Para o coordenador da rede, o impacto de demonstrações de afeto como a de Prior foram menos pelo beijo e mais pelo destinatário do gesto. “Estou há 22 anos na PM e nunca vi um policial ser punido por, mesmo de farda, trocar um gesto de carinho com a esposa ou a namorada, por exemplo. Essa repercussão, sem dúvida alguma, veio porque ele beijou outro homem”, definiu.

Soldado depõe na Corregedoria da PM

Prior depôs hoje Corregedoria da PM em São Paulo depois de a Ouvidoria solicitar que o órgão investigasse o caso.

Ao UOL, o soldado disse hoje ter requisitado à corregedoria medidas de segurança, uma vez que, desde a publicidade do episódio, ele teve de entregar a arma e se licenciou para tratamento psiquiátrico.

O advogado dele, José Beraldo, afirmou ter requerido à corporação que investigue o caso não como transgressão disciplinar praticada pelo soldado --ele foi advertido por não estar em "situação de alerta", uma vez armado e fardado, durante o ato --, mas como crime de ódio do qual, sustenta, o policial foi vítima.

"Se ele estava com o coldre desabotoado, como chegaram a arguir, isso foi no máximo uma falta leve. O fato é que ele ainda está recebendo ameaças contra a vida. Se antes eram por Facebook, agora ele recebe também pelo WhatsApp, e todas, de natureza homofóbica, com ódio", explicou o advogado.

"Infelizmente não há ainda lei específica para punir homofobia, mas esperamos que a diversidade seja respeitada pela PM, ainda mais que se fala de um homem que sempre honrou a farda".

Cotidiano