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Motoristas de ônibus mudam rota e desligam letreiros para evitar assaltos à noite em SP

Ônibus têm sido rendidos por assaltantes na região do Terminal Santo Amaro - Avener Prado/Folhapress
Ônibus têm sido rendidos por assaltantes na região do Terminal Santo Amaro Imagem: Avener Prado/Folhapress

Fernando Molina

Colaboração para o UOL

28/08/2018 19h57

Motoristas de ônibus que operam no período da noite no Terminal Santo Amaro, zona sul de São Paulo, vêm mudando itinerários, deixando de parar em pontos e até transitando com letreiros luminosos desligados para evitar assaltos na região.

Passageiros e motoristas que utilizam e trabalham nos trajetos das linhas 6030-10 (Unisa - Term. Santo Amaro) e 6062-51 (Jd. Castro Alves - Term. Santo Amaro) têm sido rendidos por assaltantes, que entram nos veículos e roubam bens, como celulares e bolsas, antes de fugirem.

Ao UOL, um motorista da empresa Transwolff, responsável pela operação das linhas citadas, reforçou que o problema é ainda maior. "Isto está acontecendo com frequência em todas as linhas da empresa, em especial as que saem do terminal, com trajeto via Marginal Pinheiros, em lugares escuros e ermos, de fácil fuga para os meliantes, sempre na região do [bairro do] Socorro. Um mesmo carro foi assaltado quatro vezes em dias seguidos."

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que o policiamento na região segue sendo feito diariamente, com queda de 20% nos roubos a ônibus em relação ao primeiro semestre de 2017. No entanto, a reportagem apurou com fontes ligadas à área de transportes que vários casos deixam de ser registrados por conta de um procedimento tomado dentro das próprias delegacias para onde os motoristas vítimas dos crimes vão para registrar o boletim de ocorrência.

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De acordo com os relatos, o documento só é lavrado quando os passageiros roubados aceitam aguardar no local junto ao motorista para prestar depoimento. Se apenas o funcionário estiver presente, o B.O. não é feito, sob alegação de que nada do veículo foi levado pelos criminosos. Motoristas da linha 6030-10 chegaram a fazer uma paralisação na tarde do último dia 14 de agosto, após mais uma ocorrência, em forma de protesto contra a insegurança.

Questionada, a SSP alegou que "não procede a informação de que há recusa de atendimento por parte da autoridade policial do 11º DP (Santo Amaro). "A delegacia funciona de forma ininterrupta, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana, e o delegado se coloca à disposição de todas as vítimas", informou o órgão.

A SPTrans, que administra os transportes coletivos municipais na capital paulista, declarou que se mantém em contato com a Polícia Militar para diminuir o número de ocorrências na região do Terminal Santo Amaro, além de reforçar que a Transwolff não tem autorização para alterar itinerários de linhas nem deixar de atender pontos de parada no trajeto dos ônibus.

Em nota ao UOL, a Transwolff informou que não orienta que seus ônibus circulem com os letreiros apagados e que não tem conhecimento sobre isso. "A Transwolff promove treinamentos periódicos sobre como agir em situações de risco, que incluem a orientação de nunca entrar em confronto com os assaltantes e se dirigir à delegacia para comunicar a ocorrência. Além disso, todas ocorrências policiais são comunicadas imediatamente à SPTrans."

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