Polícia investiga assassinato de travesti no centro de SP; testemunha cita motivação política

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal/Divulgação

    Parte da fachada do hotel no Largo do Arouche onde uma travesti pediu socorro, nesta madrugada, pouco antes de morrer

    Parte da fachada do hotel no Largo do Arouche onde uma travesti pediu socorro, nesta madrugada, pouco antes de morrer

A Polícia Civil de São Paulo investiga o assassinato de uma travesti no Largo do Arouche, na região central da capital paulista, na madrugada desta terça-feira (16). Segundo uma testemunha que será ouvida pela investigação nesta quarta-feira (17), os agressores – pelo menos quatro homens – teriam gritado o nome do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, durante a briga.

De acordo com a Polícia Militar, a vítima foi esfaqueada por volta das 5h e levada à Santa Casa, mas não resistiu ao ferimento que gerou uma grande hemorragia e morreu a caminho do hospital. Até o final desta tarde, ela ainda não havia sido reconhecida.

A vizinha ao local onde a travesti foi agredida falou ao UOL em condição de anonimato e afirmou que dormia em seu apartamento quando ouviu gritos advindos de um bar nas imediações. "Botei a cara na janela e vi a briga logo à frente. Foi uma gritaria demorada, com muitos xingamentos, e os agressores, não sei se um ou mais, gritava algo sobre o fato de a pessoa ser travesti e sobre 'Bolsonaro'", disse.

"Logo depois ouvi os gritos de socorro: 'Me ajuda, meu sangue, meu sangue...', e quando olhei novamente, ela atravessou alguns metros e não a vi mais. Desci e vi muitas poças de sangue em frente a um hotel – onde eu soube que ela pediu socorro", completou.

Arquivo pessoal/Divulgação
Marcas de sangue da travesti assassinada no centro de São Paulo

"Medo machuca muito", relata trans

A moradora, que é transexual, vive no local há pouco mais de seis meses e afirmou que achou a situação "muito chocante". "É muito estranho acontecer algo nessas circunstâncias, especialmente, porque é de conhecimento público que a região concentra muitos travestis. Esse medo me machuca muito", desabafou.

Também sob anonimato, um dos seguranças do hotel que estava de plantão nesta noite relatou ter visto a travesti tentar abrir a porta do estabelecimento, bastante ferida, em busca de ajuda. "A travesti encostou a mão na porta do hotel e logo caiu, então, chamei a polícia. Pelo que entendi, tinha sido esfaqueada várias vezes. Mas não consegui ver quem fez aquilo com ela", disse.

Polícia toma depoimentos

O delegado que investiga o caso no 3º Distrito Policial, Roberto Krasovic, afirmou já ter tomado o depoimento do funcionário de um estabelecimento comercial próximo ao local do crime. Além dele, também serão ouvidos os dois policiais militares que atenderam a ocorrência.

Segundo o delegado, o depoimento de hoje não trouxe elementos de motivação política por parte dos agressores. "Ele disse que estava no primeiro dia de trabalho e que não conseguiu ouvir nada; só viu as manchas de sangue em seguida", relatou Krasovic.

"Mas se há uma pessoa que ouviu gritos com essa conotação, isso é uma informação de suma importância para as investigações", declarou o delegado, que afirmou que a ouviria. Nesta terça, Krasovic explicou que uma equipe de investigação percorreria a área em busca de imagens de câmeras de segurança que trouxessem elementos para análise e também mais testemunhas.

"Toda e qualquer testemunha é importante de ser ouvida agora. Foi feita também perícia no local", concluiu o delegado.

Agressão a transexual no Rio

Na véspera do primeiro turno, no sábado (6), a transexual Jullyana Barbosa foi agredida em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, com gritos de homofobia e apologia ao candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro. Em depoimento ao UOL, ela afirmou que o nome do presidenciável está sendo usado para justificar agressões ao público LGBT, sejam apoiadores do candidato ou não. Foi registrada denúncia na polícia. O caso integra uma lista com dezenas de agressões com apologias ao candidato, nos últimos dias, em atos pelo pais todo.

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